777 Carioca interpela Lamacchia e alega controle da SAF vascaína
Ex-controladora americana entrou com ação judicial para impedir venda da SAF ao empresário. Documento assinado pela A-CAP afirma que clube ignorou seguro-garantia e que revenda seria ilegal. Vasco rebate: 777 é sócia minoritária.

O documento chegou na última quarta-feira, direto às mãos de Marcos Lamacchia. Sem protocolo em tribunal, sem número de processo — apenas uma interpelação judicial que funciona como aviso formal. A 777 Carioca, subsidiária da 777 Partners que comandou a SAF vascaína até a suspensão contratual em maio de 2024, mira agora o empresário que negocia assumir 90% dos ativos do futebol cruzmaltino. A mensagem é clara: a empresa americana considera ilegal qualquer revenda da SAF e ameaça responsabilizar Lamacchia por eventuais prejuízos.
A ação foi assinada por Jill Gettman, diretora jurídica da A-CAP, seguradora que hoje gere a 777 Partners por ser sua maior credora. No documento, a empresa fundada por Josh Wander e Steven Pasko sustenta que ainda detém 70% das ações da SAF vascaína — sendo 39% subscritas — e que essa titularidade não seria contestada no procedimento arbitral em curso. Segundo a 777 Carioca, não haveria controvérsia entre as partes quanto à propriedade das ações.
O departamento jurídico do Vasco, contudo, rejeita frontalmente o argumento. Para o clube associativo, a 777 Partners detém apenas 31% das ações da SAF, o que a colocaria na condição de sócia minoritária, sem poder de veto sobre uma eventual venda do controle acionário. A divergência numérica é o epicentro do imbróglio.
Desde 15 de maio de 2024, os efeitos do contrato entre Vasco e 777 Partners estão suspensos por determinação do Poder Judiciário do Rio de Janeiro. O clube associativo reassumiu a gestão da SAF e, desde então, a empresa americana tenta reverter a decisão — até agora, sem êxito. No documento recente, a 777 Carioca afirma que, restaurados os efeitos contratuais, realizará tempestivamente os aportes que foram suspensos judicialmente.
A interpelação acusa Lamacchia de negociar sem ter 'ciência dos fatos' e sob 'premissas equivocadas'. O texto é enfático: 'E caso o Sr. Marcos pratique tais atos mesmo ciente dos fatos ora relatados, estará configurada sua má-fé e a 777 Carioca desde já informa que adotará todas as medidas cabíveis para impedir a prática desses atos, cessar seus efeitos, os invalidar e responsabilizar o Sr. Marcos por todos os prejuízos causados a ela.'
Um dos pilares da argumentação americana é o seguro-garantia. Segundo a 777 Carioca, a empresa teria oferecido ao Vasco a contratação de um seguro que garantiria a devolução do controle da SAF, mas o clube cruzmaltino teria ignorado a proposta. A alegação, contudo, não vem acompanhada de detalhes sobre prazos, valores ou condições do suposto seguro.
O Vasco, por sua vez, segue avançando nas tratativas com Marcos Lamacchia. A transferência de 90% dos ativos do departamento de futebol está encaminhada, conforme o próprio clube confirmou. O executivo ainda não se manifestou publicamente sobre a interpelação recebida.
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