777 Carioca interpela Lamacchia e tenta marcar território

Empresa movimenta peça jurídica contra o empresário às vésperas da venda da SAF. Bastidores indicam jogo de pressão por valores maiores e tentativa de constranger investidor a se posicionar publicamente.

Vasco SAF bastidores negociação

A 777 Carioca protocolou interpelação judicial contra o empresário Marcos Lamacchia, numa movimentação que mexe com os bastidores da venda da SAF do Vasco. Mas o que está por trás dessa peça jurídica — e por que agora?

O documento é assinado por procuração de Jill Gettman, diretora jurídica da A-CAP, empresa que assumiu os ativos da 777 Partners após a debacle do grupo. A representação ficou a cargo do escritório Monteiro de Castro Setoguti. Segundo informações do jornalista Danilo Danteskoo, do Expresso 1923, toda a operação da 777 e da A-CAP tem como homem-forte Kenneth King, conforme demonstrado em processo da Leadenhall em Nova York. A participação de Gettman, porém, ganhou relevância nas decisões relacionadas às pendências da 777 Partners.

E aqui entra o xadrez vascaíno. Relatos de bastidores dão conta de que toda a comunicação entre Associação e A-CAP acontece sem qualquer participação de Lamacchia. A ideia seria resolver a questão diretamente entre clube e empresa americana, seja em arbitragem ou acordo, tratando-se como sócios. Segundo Danteskoo, a resolução com a A-CAP seria considerada 'não tão complexa' por pessoas próximas ao processo, com a empresa americana disposta a negociar e solucionar de vez o impasse.

A interpelação, no entanto, tem perfume de marcação de território. O objetivo seria constranger Lamacchia a sair da toca, acelerar o processo ou — talvez o mais provável — receber valores maiores do que os atualmente postos na mesa. É um jogo de redução de danos financeiros da A-CAP, com o Vasco provavelmente adentrando ao processo como interessado. A expectativa é de que Lamacchia se manifeste em breve.

Um detalhe chama atenção: na interpelação, a 777 Carioca sustenta que teria feito os aportes contratuais, não o tendo feito apenas porque foi afastada por liminar. O problema? Em dois anos de processo, a empresa nunca apresentou garantias que demonstrassem capacidade real de cumprir tais obrigações.

Embora seja apenas uma interpelação — ou seja, uma notificação para que Lamacchia tome ciência do posicionamento da 777 Carioca —, o documento carrega um teor de aviso prévio. Caso a assinatura do memorando de entendimentos (MOU) se concretize, a peça pode servir de base para ação judicial contra o empresário.

No fim das contas, a jogada parece clara: produzir prova para eventual ação futura, causar embaraços e buscar ressarcimento financeiro maior. Como resumiu Danteskoo, 'no final, tudo se resume a negócios'. O torcedor vascaíno, que só quer ver a SAF livre dessa novela, segue acompanhando cada lance desse tabuleiro.

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Publicado em 29 de maio de 2026

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