777 exige documentação completa da UPI Equity e prepara terreno para contestar operação

A 777 Carioca apresentou petição na Recuperação Judicial pedindo acesso integral aos documentos da criação e alienação da UPI Equity. Diz ser titular de 70% da SAF e alega risco de esvaziamento patrimonial.

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A 777 Carioca apresentou petição na Recuperação Judicial do Vasco da Gama solicitando acesso integral à documentação da operação que envolve a criação e posterior alienação da UPI Equity. O pedido foi protocolado em meio ao processo que busca viabilizar novo aporte de capital ao clube cruzmaltino.

A empresa, que se apresenta como titular de 70% da Vasco SAF, argumenta que a transferência dos ativos esportivos para uma Nova SAF poderia representar um esvaziamento patrimonial da companhia atual, atingindo diretamente o valor de sua participação societária.

A 777 Carioca listou uma série de documentos que deseja analisar antes de se manifestar formalmente sobre a operação. Entre os itens solicitados estão o Acordo de Investimento firmado com o G5, o edital da concorrência, o valuation da companhia, as garantias oferecidas, as projeções financeiras e a matriz das condições do negócio.

Um dos pontos centrais da solicitação envolve a questão da eventual anuência da própria 777 para a operação. A empresa quer acesso aos documentos que tratem especificamente desse tema, sinalizando que sua concordância pode ser necessária para a efetivação do negócio. A leitura do Expresso98 é que esse movimento revela o principal risco jurídico da operação com o G5: a 777, ainda detentora de 70% da SAF segundo seus próprios registros, pode ter poder de veto sobre a reestruturação societária, e a petição sinaliza que a empresa pretende usar esse trunfo para defender sua posição na disputa arbitral que corre em paralelo.

Além de pedir os documentos, a 777 Carioca ressalvou na petição que poderá buscar a defesa de seus direitos também perante o Tribunal Arbitral. A menção à arbitragem indica que a empresa não descarta levar a disputa para fora da esfera da Recuperação Judicial, caso entenda que seus interesses como acionista estejam sendo prejudicados.

A petição apresentada não inclui, de forma direta, pedido de cancelamento ou suspensão da venda da UPI Equity. O que a 777 Carioca solicita é o recebimento de toda a documentação relacionada à operação e que o prazo de cinco dias para sua manifestação só comece a contar após a entrega integral dos documentos.

O movimento é interpretado como preparação de terreno para eventual contestação futura. Ao exigir acesso completo aos papéis do negócio, a 777 Carioca sinaliza que pretende analisar a estrutura jurídica e financeira da UPI Equity antes de definir se tomará medidas para tentar impedir ou modificar a operação. Para o Expresso98, a estratégia é clara: a 777 não travou a operação agora, mas criou margem para fazê-lo depois — o pedido de documentos e a reserva de direitos na arbitragem indicam que a empresa não aceitará passivamente uma operação que reduza ou anule sua participação sem compensação.

O Vasco da Gama vive momento delicado no Campeonato Brasileiro. O time ocupa a 19ª posição da tabela, com 22 pontos em 23 jogos — cinco vitórias, sete empates e 11 derrotas. A situação na zona de rebaixamento aumenta a pressão por reforços e por regularização financeira que permita ao clube competir em melhores condições.

A última partida do Vasco foi derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, no dia 23 de agosto. O próximo compromisso do time será contra o Vitória, em São Januário, no dia 27 de agosto. O Vitória está na 12ª colocação, com 29 pontos em 24 jogos.

A criação da UPI Equity é vista pela atual diretoria do Vasco, liderada pelo presidente Pedrinho, como caminho para atrair investimento sem abrir mão do controle da SAF. A estrutura permitiria ao G5 aportar recursos em troca de participação em ativos específicos, sem adquirir o controle acionário direto da companhia.

A 777 Partners foi a empresa que comprou 70% da SAF vascaína em 2022. Desde então, enfrenta problemas financeiros nos Estados Unidos e foi alvo de investigações. A relação entre a empresa e o clube se deteriorou nos últimos meses, com acusações mútuas e disputas judiciais.

A petição da 777 Carioca adiciona mais um capítulo à complexa trama jurídica e financeira que envolve o Vasco. O pedido de acesso aos documentos pode atrasar a conclusão da operação com o G5, dependendo do prazo que a Justiça conceder para análise e manifestação da empresa. Na avaliação do Expresso98, o risco de atraso é concreto: a 777 condicionou o início de seu prazo de manifestação à entrega integral dos papéis, e a partir daí terá cinco dias para se posicionar — esse calendário pode estender-se por semanas, justamente no momento em que o clube, na lanterna da tabela com 22 pontos em 23 jogos, precisa de recursos para reforçar o elenco antes do fim da janela de transferências.

Com informações do NetVasco, que cita X Podcast Cruzmaltino.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 24 de agosto de 2026

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