777 Partners articulou lobby político contra o Vasco antes de perder SAF
E-mails revelam que a empresa norte-americana buscou aliados em abril de 2024, pouco antes da decisão judicial que devolveu o controle total da SAF ao clube associativo. Gestores de outras SAFs e autoridades foram mapeados.

A 777 Partners promoveu uma ofensiva política contra o clube associativo do Vasco da Gama em abril de 2024, poucos dias antes de a Justiça determinar a retomada integral do controle da SAF cruzmaltina.
E-mails enviados naquele período revelam que a empresa norte-americana articulou uma rede de contatos para tentar construir apoio institucional e neutralizar a ação judicial que se aproximava. As mensagens partiram de Nicolas Maya e foram direcionadas a Josh Wander, Don Dransfield, Lúcio Barbosa e outros integrantes da própria 777.
Entre os alvos mapeados para conversas estavam controladores de SAFs de outros clubes brasileiros, incluindo John Textor — investidor do Botafogo — e os gestores responsáveis pelas sociedades anônimas de Cruzeiro e Coritiba. A estratégia visava formar uma frente comum em defesa do modelo de atuação da 777 no futebol brasileiro.
A ofensiva não se limitou ao ambiente esportivo. A empresa buscou estabelecer reuniões com ministros, senadores e outras partes interessadas que pudessem adotar publicamente uma postura favorável à gestão norte-americana. O objetivo era criar pressão institucional sobre os desdobramentos jurídicos que ameaçavam sua permanência no controle da SAF vascaína.
Nos e-mails, foram citados nominalmente juízes, representantes da Confederação Brasileira de Futebol e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Opositores políticos ao presidente Pedrinho também aparecem mencionados nas conversas internas da 777, indicando uma tentativa de explorar divergências no cenário político cruzmaltino para enfraquecer a posição do clube associativo.
A revelação dos e-mails expõe os bastidores de um momento crítico na relação entre o Vasco e a 777 Partners. A ação judicial mencionada nas mensagens acabou sendo bem-sucedida, e o clube associativo recuperou o poder total sobre a SAF em 2024, encerrando a gestão controversa da empresa estrangeira.
O episódio ilustra a amplitude da crise institucional vivida pelo Vasco da Gama durante o período de envolvimento com a 777 Partners e reforça a dimensão política e jurídica dos conflitos que marcaram essa fase recente da história cruzmaltina.
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