777 Partners contesta operação da Almirante e ameaça judicializar
Grupo americano protocolou interpelação contra empresa que assinou acordo para adquirir a Nova SAF. 777 afirma ser proprietária de 70% das ações da atual SAF e alega que operação esvaziaria patrimônio da sociedade.

A saga judicial em torno da SAF do Vasco ganhou mais um capítulo. A 777 Carioca, empresa do grupo americano 777 Partners, protocolou neste sábado, 27 de janeiro, uma interpelação judicial contra a Almirante Participações, companhia que assinou o acordo de aquisição da Nova SAF vascaína.
O movimento jurídico ocorre em meio ao processo de reestruturação da SAF do clube. A operação em curso prevê a transferência dos ativos para uma nova sociedade e posterior venda de 90% das ações via UPI Equity, mecanismo que viabilizaria a entrada da Almirante como investidora do clube cruzmaltino.
No documento, a 777 sustenta ser proprietária de 70% das ações da Vasco SAF e contesta diretamente a operação da Nova SAF. A empresa americana argumenta que a transferência de ativos para uma nova sociedade esvaziaria o patrimônio da atual SAF e violaria os direitos que alega possuir.
A interpelação traz ainda um tom de ameaça explícita. A 777 afirma que, caso a Almirante prossiga com a operação mesmo após ter sido formalmente cientificada do litígio societário e arbitral em curso, adotará todas as medidas judiciais cabíveis para impedir a transação, invalidar eventuais atos praticados e buscar responsabilização por prejuízos causados.
O movimento da 777 insere-se em um contexto mais amplo de disputas judiciais. Segundo informações do jornalista José Américo, do Vasco Connection, a 777 anexou petição às 23h50 da sexta-feira, 26, manifestando-se na mesma ação em que uma liminar teve os efeitos suspensos. No documento, a empresa aguarda relatórios do Watchdog, mecanismo de supervisão.
Para o Vasco, a disputa judicial representa mais uma frente de incerteza institucional. Enquanto o time ocupa a 16ª posição no Brasileirão com 20 pontos — em campanha instável, com cinco vitórias, seis empates e nove derrotas nos últimos vinte jogos —, a estrutura de governança da SAF permanece alvo de contestações que podem prolongar indefinidamente a entrada de novo capital no clube.
A semana promete novos desdobramentos. A expectativa é que outras movimentações processuais ocorram nos próximos dias.
Com informações do NetVasco, que cita X Colina 1927.
## Análise Expresso98
A interpelação judicial protocolada pela 777 Partners contra a Almirante Participações neste sábado adiciona mais uma camada de incerteza ao processo de reestruturação da SAF vascaína. O movimento ocorre em momento delicado: enquanto o Vasco ocupa a 16ª posição no Brasileirão com 20 pontos em 19 jogos e saldo negativo de oito gols, a disputa societária pela propriedade da SAF arrasta-se sem resolução definitiva. A empresa americana contesta a operação da Nova SAF e ameaça adotar todas as medidas judiciais cabíveis caso a Almirante prossiga com a transação, alegando ser proprietária de 70% das ações da Vasco SAF e que a transferência de ativos esvaziaria o patrimônio da atual sociedade.
O clube segue tocando seu planejamento esportivo apesar do ruído institucional. A direção de futebol mantém negociações ativas — Admar Lopes viajou para Buenos Aires conduzir pessoalmente as tratativas por Santiago Sosa, e o Racing sinalizou pela primeira vez disposição para negociar abaixo da multa rescisória de 12 milhões de euros. A estreia do patrocínio da Sportingbet nos uniformes de treino e a reformulação da coordenação da reforma de São Januário, agora sob comando de um conselho tripartite, indicam tentativa de manter operações funcionando em paralelo ao litígio.
A judicialização protagonizada pela 777 Partners, contudo, representa risco concreto de paralisação ou invalidação do acordo com a Almirante. A ameaça explícita de buscar responsabilização por prejuízos causados pode inibir a conclusão da operação ou prolongar indefinidamente a entrada de novo capital no clube. Internamente, o afastamento de Renato Brito e a demissão de quatro diretores nas últimas semanas expõem fissuras na gestão de Pedrinho, fragilizando a coesão necessária para atravessar a turbulência jurídica. A campanha instável no Brasileirão — com forma de cinco derrotas consecutivas considerando todas as competições — amplifica a urgência por estabilidade institucional que o imbróglio da SAF impede.
A leitura do Expresso98 é de que o Vasco atravessa seu momento mais crítico desde a tentativa de transição para o modelo SAF. A disputa judicial não é ruído de bastidor, mas ameaça estrutural à viabilidade do projeto de recapitalização. Enquanto a 777 Partners e a Almirante digladiam-se nos tribunais, o clube permanece refém de uma indefinição que corrói sua capacidade de planejar o futuro. A semana promete novos desdobramentos processuais, mas a expectativa vascaína é que o imbróglio encontre desfecho célere — a janela de transferências não espera, e a zona de rebaixamento está a apenas quatro pontos de distância.
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