777 rasga o discurso dos avanços — paga a auditoria, mas escancara 5 pendências na governança da SAF

A 777 Carioca se manifestou nesta quinta-feira no incidente da Recuperação Judicial e antecipou o pagamento da auditoria da ICTS Global. Mas o recado foi duro: mesmo com os avanços reconhecidos pelo Gatekeeper, cinco pontos da governança seguem irregulares.

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A 777 Carioca se manifestou nesta quinta-feira (27) no incidente ligado à Recuperação Judicial do Vasco e da SAF e concentrou os argumentos em dois eixos: auditoria e governança.

Sobre a auditoria da ICTS Global, a 777 sustentou que os custos deveriam ser suportados pelas Recuperandas — clube e SAF —, não por ela. Mesmo assim, informou que vai antecipar o pagamento dos honorários, justificando a importância da auditoria para verificar a situação real da companhia da qual ainda é acionista. Para o Expresso98, o movimento é estratégico: ao assumir os custos, a 777 desobstrui o caminho da auditoria e afasta o argumento de que estaria travando o processo — mas mantém a ferramenta que pode revelar fragilidades nas contas da SAF.

O ponto central da manifestação, porém, foi a governança. A 777 afirmou que as determinações judiciais ainda não foram cumpridas integralmente e listou cinco pendências: a nomeação de um conselheiro independente no Conselho de Administração, a indicação de três suplentes do Conselho Fiscal, a escolha de mais um diretor, o registro e publicação da ata da Assembleia de 10 de agosto e a aprovação das demonstrações financeiras de 2024 e 2025.

Para reforçar a tese, a 777 citou a própria manifestação do Gatekeeper — o supervisor judicial do processo —, que reconheceu 'nítidos avanços' na regularização da governança, mas concluiu que ainda não é possível reconhecer o pleno cumprimento das determinações judiciais. A diferença está no tom: enquanto o Gatekeeper reconhece avanços e aponta pendências, a 777 adotou uma interpretação mais dura. Segundo a manifestação, 'apesar de todas as oportunidades', as situações denunciadas no incidente 'não foram regularizadas'.

A leitura do Expresso98 é que a 777 está montando um discurso que usa o próprio supervisor judicial como testemunha: se o Gatekeeper admite que o cumprimento não está pleno, a 777 ganha amparo técnico para pressionar por mudanças mais profundas na administração da SAF. O risco para o Vasco é que as pendências, mesmo reconhecidas como em andamento, sejam transformadas em base para pedidos de intervenção ou afastamento na próxima rodada processual.

A 777 encerrou preservando expressamente todos os seus direitos e pretensões, e registrou que a manifestação não significa concordância com os atos praticados pelas Recuperandas. Nesta manifestação, a 777 não apresentou novo pedido explícito de afastamento de Pedrinho ou de intervenção imediata na administração da SAF. O movimento foi outro: pagar a auditoria para que ela avance e, paralelamente, consolidar nos autos a tese de que, apesar dos avanços reconhecidos pelo próprio Gatekeeper, a governança da Vasco SAF ainda não está plenamente regularizada.

Vale a leitura de que a 777 trocou o confronto direto pela construção de fundamento: em vez de bater de frente agora, documenta as falhas e prepara terreno para uma ofensiva posterior, quando a auditoria estiver concluída e a Justiça tiver de decidir se os avanços foram suficientes ou se as pendências exigem medida mais drástica.

Com informações do NetVasco, que cita X do jornalista Gustavo Cunha/Colina 1927.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 28 de agosto de 2026

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