A falta de criatividade: Vasco segue sem seu maestro em campo
Abril sem vitórias expõe carência que persegue o Cruz-Maltino desde a era Diniz: a ausência de um camisa 10 que assuma responsabilidades e organize o jogo. Renato sabe que precisa de inspiração, não só transpiração.

O mês de abril deixou evidente uma deficiência estrutural no elenco vascaíno: falta um cérebro em campo. Cinco jogos, três pontos, zero vitórias — números que dividem com o Mirassol o pior desempenho entre os clubes da Série A neste período. E a explicação vai além do cansaço físico ou da maratona de jogos.
O Vasco de Renato Gaúcho ainda não encontrou seu líder técnico. Aquele jogador capaz de ler o jogo, ditar o ritmo, assumir responsabilidades nos momentos decisivos. A referência que Philippe Coutinho deveria ter sido, mas não conseguiu. É uma carência que vem desde os tempos de Fernando Diniz e segue sem solução.
Os pontos perdidos para Remo, Botafogo, Coritiba e Cruzeiro — todos após o Vasco abrir o placar — não são mera coincidência. São sintomas de um time sem maturidade emocional e sem quem organize as ideias quando o jogo aperta. Falta inteligência para administrar vantagens, falta personalidade para retomar o controle.
Renato traçou como meta chegar à pausa para o Mundial de Clubes com 24 pontos. Hoje são 13. Significa arrancar 11 pontos nos próximos sete jogos, incluindo São Paulo amanhã em São Januário, Corinthians fora e Flamengo no Maracanã. O calendário não perdoa.
Por isso o treinador tem razão em usar Copa Sul-Americana e Copa do Brasil para rodar elenco, dar ritmo aos recém-chegados e maturar os mais jovens. A competitividade do Vasco precisa crescer em todos os aspectos: físico, emocional, tático.
Mas como o próprio Renato deixou claro ao falar do mercado: veio transpiração, faltou inspiração. E inspiração, no futebol, tem nome e sobrenome: camisa 10.
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