Admar Lopes admite possibilidade de aumentar investimento no futebol do Vasco

Admar Lopes admite possibilidade de aumentar investimento no futebol do Vasco

O diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, admitiu nesta segunda-feira a possibilidade de um aumento nos investimentos ao longo da janela de transferências. Em entrevista coletiva concedida após a apresentação do lateral-esquerdo Paulinho e do novo técnico Pedro Emanuel, o dirigente revelou que o período de afastamento de Pedrinho do comando da SAF por ordem da Justiça afetou a busca por reforços.

"O que foi passado pelo conselho de administração é de, claro, melhorar a equipe e estrategicamente. Não seríamos tão agressivos nesse começo de janela porque as coisas poderiam mudar com o passar do tempo. Estou à espera de que haja um 'ok', mas de qualquer maneira não significa que nos próximos dias e semanas pode acontecer uma novidade. Não significa que o Vasco de uma hora para outra vai virar milionário e comprar jogador de 20, 30 milhões de euros, mas sim haver uma readequação. A janela é longa", afirmou Admar Lopes.

Segundo o dirigente, a fonte de um possível investimento seria a compra da SAF do Vasco pelo empresário Marcos Lamacchia, que nos últimos meses vem negociando com o presidente Pedrinho. Ainda não há previsão para o acerto. Sobre o período de afastamento do presidente, Admar foi direto: "O que eu posso dizer é que eu, como diretor de futebol do Vasco, não sabia se iríamos ficar um dia, uma semana, um mês, um ano sem presidente. E isto, obviamente, como devem imaginar, causa uma incerteza muito grande. Um diretor de futebol que não pode falar com o presidente, não é agradável, não facilita absolutamente nada".

O diretor também explicou a contratação do técnico português Pedro Emanuel, que assume o comando após a saída de Renato Gaúcho. "O perfil do Pedro que nos chamou à atenção é que ele é muito trabalhador, muito meticuloso, tem uma metodologia bem definida. É um treinador taticamente muito forte, tem uma escola organizada portuguesa. E ele tem um perfil e um percurso de líder, tanto como jogador e como treinador. É muito carismático e é muito justo", destacou.

Sobre a negociação frustrada com Fernando Seabra, do Coritiba, Admar esclareceu que a multa nunca foi negociada e que o clube sempre se dispôs a pagá-la. "A partir do momento que teve uma intransigência do Coritiba em receber o pagamento à vista, o movimento caiu. Simples. Não estava tudo completo. Saiu que estava fechado, mas isso é de responsabilidade de quem falou", afirmou o dirigente.

Durante a pausa para a Copa do Mundo, o CT Moacyr Barbosa recebeu melhorias estruturais, conforme registrado em imagens divulgadas pelo jornalista Emerson Rocha. O CEO Fred Luz não esteve presente no CT durante as entrevistas coletivas desta segunda-feira, segundo informou o jornalista Linniker Biondi.

O Vasco encerrou o período antes da pausa para a Copa do Mundo na zona de rebaixamento do Brasileirão. O clube agora se prepara para o retorno da competição sob o comando do novo treinador e com a expectativa de reforços ao longo da janela de transferências.

## Análise Expresso98

O Vasco vive um momento delicado e de indefinição institucional. Apresentado oficialmente junto ao lateral-esquerdo Paulinho nesta segunda-feira, o técnico português Pedro Emanuel assume o comando de um elenco que encerrou o período antes da pausa para a Copa do Mundo na zona de rebaixamento do Brasileirão — 17º lugar, com 20 pontos em 18 jogos e saldo de gols negativo em sete. A declaração do diretor de futebol Admar Lopes sobre a possibilidade de aumento nos investimentos ao longo da janela de transferências expõe o cenário de incerteza vivido pelo clube: o afastamento judicial de Pedrinho travou o planejamento, e a eventual compra da SAF pelo empresário Marcos Lamacchia segue sem previsão de desfecho. A troca de técnico — a segunda na temporada, após Fernando Diniz e Renato Gaúcho — busca imprimir uma metodologia de trabalho mais organizada, mas o novo comandante herda um time em situação emergencial e com limitações financeiras evidentes.

A favor do Cruzmaltino pesam alguns fatores. A chegada de Pedro Emanuel, que abriu mão de proposta milionária na Arábia Saudita para aceitar o projeto vascaíno, sinaliza ao menos alinhamento de perfil: o técnico é descrito como meticuloso, taticamente forte e com escola portuguesa organizada, características que podem trazer a estabilidade que faltou ao longo do ano. O período de pausa permitiu melhorias estruturais no CT Moacyr Barbosa e oferece ao novo comandante e sua comissão técnica — Rui Gomes, Pedro Correia, André Galbe e Gil Varajão — um intervalo para trabalhar e conhecer o elenco antes do retorno da competição. Além disso, a janela de transferências é longa, e Admar Lopes deixou claro que há margem para readequação do investimento caso a venda da SAF avance, ainda que sem promessas de contratações milionárias.

Por outro lado, as preocupações são evidentes e estruturais. A indefinição sobre a compra da SAF paralisa o planejamento: Admar admitiu que não sabia se ficaria "um dia, uma semana, um mês, um ano" sem presidente durante o afastamento de Pedrinho, e essa incerteza travou a busca por reforços. O Vasco não tem capacidade financeira atual para investimentos em contratações, e o conselho de administração orientou explicitamente o departamento de futebol a não ser agressivo no início da janela — uma postura prudente, mas que impede movimentos rápidos num momento de urgência esportiva. A negociação frustrada com Fernando Seabra, do Coritiba, escancarou as limitações operacionais do clube, e a situação na tabela — zona de rebaixamento, forma recente de três derrotas consecutivas antes da pausa — exige reação imediata. O próximo jogo, contra o Vitória fora de casa, será o primeiro teste real de Pedro Emanuel num contexto de pressão extrema.

A situação é de risco controlado, mas risco ainda assim. O Vasco aposta na capacidade de trabalho e na metodologia de Pedro Emanuel para reorganizar a equipe enquanto aguarda definições institucionais que fogem ao controle técnico. A possibilidade de readequação dos investimentos existe, mas está condicionada a um desfecho que não tem prazo — e o calendário do Brasileirão não espera. A temporada exige agora que o clube consiga produzir resultados com o elenco disponível, esperando que a gestão resolva os entraves financeiros e políticos a tempo de viabilizar reforços pontuais. O Gigante da Colina está, mais uma vez, numa encruzilhada entre a urgência do presente e a indefinição do futuro.

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Publicado em 14 de julho de 2026

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