Adson lidera aproveitamento na Sul-Americana; Brenner frustra
Com estratégia de priorizar o Brasileirão, Renato Gaúcho rodou o elenco vascaíno na fase de grupos da Copa Sul-Americana. O técnico teve sinais claros: Adson, Ramon Rique e Avellar cresceram; Brenner, Cuesta e Fuzato decepcionaram.

O Vasco da Gama encerrou sua participação na fase de grupos da Copa Sul-Americana na segunda colocação do Grupo G, posicionando-se atrás do Olimpia. Com estratégia declarada de priorizar a disputa do Campeonato Brasileiro, o clube cruzmaltino optou por poupar jogadores titulares em cinco dos seis compromissos do torneio internacional, transformando a competição continental em verdadeiro laboratório para o técnico Renato Gaúcho.
A campanha sul-americana permitiu ao treinador avaliar alternativas e promover rodízio extenso no elenco, gerando sinais claros sobre quem soube aproveitar a oportunidade e quem desperdiçou chances valiosas de afirmação no grupo principal.
Entre os destaques positivos, Adson emerge como o nome de maior evolução. O atacante iniciou a temporada ainda sob dúvidas quanto à condição física após recuperação de duas lesões graves, mas forneceu resposta categórica durante a fase de grupos: encerrou a campanha com três gols e três assistências, números que refletem aproveitamento objetivo das oportunidades concedidas. A trajetória de Adson simboliza a maior curva ascendente entre os jogadores testados no torneio, migrando da condição de opção periférica para a titularidade efetiva da equipe comandada por Renato Gaúcho.
Ramon Rique também soube capitalizar o momento favorável. Chamado à responsabilidade contra o Olimpia, em São Januário, após indisposição de Tchê Tchê ainda no aquecimento, o meio-campista destacou-se na vitória vascaína por 3 a 0. A atuação positiva rendeu-lhe convocação definitiva aos treinamentos do grupo profissional, conquistando a confiança da comissão técnica e garantindo integração permanente ao plantel principal.
Situação análoga vivenciou Avellar, que aproveitou espaços na lateral esquerda decorrentes das ausências de Cuiabano e Lucas Piton por diversos motivos ao longo da competição. O defensor apresentou atuações sólidas sempre que requisitado, credenciando-se igualmente à incorporação definitiva ao elenco profissional vascaíno.
No campo das frustrações, Brenner acumulou atuações sem brilho e protagonizou momento simbolicamente negativo: desperdiçou cobrança de pênalti em contexto absolutamente tranquilo, quando o Vasco já vencia o Barracas Central por 3 a 0 na última rodada e a torcida presente em São Januário clamava por seu nome. A cobrança fraca permitiu defesa confortável ao goleiro adversário. Além do episódio específico, o atacante segue sem encontrar função clara no sistema tático da equipe.
Carlos Cuesta vivenciou trajetória oscilante. Após assumir a titularidade da defesa vascaína em substituição ao irregular Saldivia, o colombiano também apresentou atuações inconsistentes contra Olimpia — apesar de marcar gol no Paraguai — e especialmente diante do Audax Italiano, partida na qual foi expulso. Confrontado por equipes que priorizavam o cruzamento como principal recurso ofensivo, Cuesta evidenciou dificuldades no posicionamento defensivo dentro da própria área, comprometendo a solidez do setor.
Daniel Fuzato, reserva de Léo Jardim, igualmente não correspondeu às expectativas nas oportunidades concedidas. O goleiro cometeu erro grosseiro contra o Audax Italiano, no Chile, ao falhar no domínio de recuo de Saldivia que resultou em gol contra vascaíno — lance que expôs fragilidade técnica em fundamento elementar da posição.
O balanço da fase de grupos da Copa Sul-Americana oferece a Renato Gaúcho diagnóstico valioso sobre o elenco às vésperas da sequência decisiva do Campeonato Brasileiro, competição prioritária na estratégia institucional do clube cruzmaltino para a temporada.
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