Advogado de Lamacchia detalha operação de R$ 2 a 3 bi e projeta conclusão em 2027

Advogado de Lamacchia detalha operação de R$ 2 a 3 bi e projeta conclusão em 2027

O advogado André Sica, representante de Marcos Lamacchia na negociação de compra da SAF do Vasco, apresentou nesta semana o acordo de investimentos na Justiça, no processo de recuperação judicial do clube. Em entrevista ao ge, Sica detalhou o tamanho real da operação e afirmou que o processo não deve ser concluído ainda em 2026.

Segundo Sica, a operação envolve três pilares financeiros que somam entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. O primeiro é a dívida da Recuperação Judicial, que está em R$ 1,3 bilhão e, mediante negociação, cai para cerca de R$ 800 milhões. Somada à dívida fiscal de R$ 300 milhões, o montante de dívidas que precisam ser pagas chega a quase R$ 1,1 bilhão. "A operação faz efetivamente o repasse de valores para pagamento dessas dívidas. É o ponto básico", explicou o advogado.

O segundo compromisso do investidor, segundo Sica, é fazer o suporte necessário ao fluxo de caixa do clube. Hoje o Vasco gasta cerca de R$ 800 milhões e arrecada cerca de R$ 500 milhões, gerando um descasamento de mais de R$ 300 milhões de prejuízo. "O segundo compromisso do investidor é fazer o suporte necessário para que, tanto receita quanto despesa, se equalizem", afirmou Sica, garantindo que pelo menos nos próximos cinco anos o investidor terá que equalizar esse gap ou fazer o aporte, o que representa mais R$ 1,5 bilhão.

Questionado se esse R$ 1,5 bilhão seria dinheiro novo ou gerado pelo próprio caixa do Vasco, Sica foi enfático: "É óbvio que é dinheiro novo, porque se a administração do investidor passou a gerar esse dinheiro, é porque ele fez uma boa administração e gerou. Porque se eles já fossem capazes de gerar, já poderiam ter gerado". O advogado ainda explicou que, pelo acordo feito, não é possível baixar despesas com futebol, que devem seguir o patamar mínimo do que é gasto hoje.

André Sica lidera a negociação pelo empresário paulista e construiu o acordo de investimentos com o Vasco. Antes, participou de operações similares no Cruzeiro, no Bahia, no Coritiba e no Bragantino. Sobre a questão levantada pelo Flamengo junto à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) acerca de possível conflito de interesses, Sica fez defesa do cliente, assim como comentou sobre a necessária resolução do caso com a 777.

## Análise Expresso98

O advogado André Sica trouxe números concretos à mesa: a operação gira entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, com R$ 1,1 bilhão para saldar dívidas da Recuperação Judicial e débitos fiscais, mais R$ 1,5 bilhão projetado para cobrir o rombo de caixa nos próximos cinco anos — um buraco que hoje sangra mais de R$ 300 milhões anuais. A promessa é de "dinheiro novo", mas o cronograma escorregou: a conclusão não sai mais em 2026, foi empurrada para 2027. Enquanto isso, o Vasco patina na 17ª posição do Brasileirão, com 20 pontos em 19 jogos, zona de rebaixamento explícita, e a janela de contratações aberta sem que o reforço no volante — buscado após a perda de Hugo Moura — tenha chegado. O imbróglio da 777 segue sem desfecho, a ANRESF cobra esclarecimentos e o Flamengo tenta barrar o negócio por suposto conflito de interesses. A matemática até fecha no papel, mas o relógio aperta na Colina.

A favor está a clareza do compromisso: Sica garantiu que o investidor não pode cortar gastos com futebol abaixo do patamar atual e que, se a gestão não gerar receita suficiente, o aporte virá do bolso de Lamacchia — pelo menos nos primeiros cinco anos. A proibição de distribuir lucros por dez anos e a multa por descumprimento de aportes dão algum contorno de segurança contratual. O edital da Almirante já estabeleceu R$ 500 milhões de investimento obrigatório e o próprio empresário enviou garantias bancárias ao Betis por Deossa, sinalizando disposição de agir à distância até a assinatura final. A estrutura jurídica do processo competitivo permite começar mesmo com a 777 em disputa, separando a seleção do investidor do fechamento da venda.

Mas a conta fecha só se tudo andar no prazo — e nada está andando. A conclusão em 2027 é vaga: pode ser janeiro, pode ser novembro, e cada mês de espera é mais um mês de déficit acumulado, mais uma janela perdida, mais uma rodada flertando com a Série B. A recuperação judicial exige aprovação do juiz, a ANRESF pode vetar por multipropriedade (Leila Pereira é casada com o pai de Marcos e preside o Palmeiras até dezembro de 2027), e a 777 ainda não foi resolvida — embora o Vasco alegue que isso não impede o início do processo, a pendência jurídica trava o Closing e amarra mãos. O time está tecnicamente rebaixado neste momento, com apenas uma vitória nas últimas cinco rodadas (forma LLLLW), e Sica admitiu que os R$ 150 milhões em incentivos fiscais são estimativa que depende de aprovação pública — ou seja, não são garantidos. Se algo travar no meio do caminho, o Vasco entra 2027 sem investidor, com a dívida nos mesmos R$ 1,3 bilhão e um elenco montado para brigar contra o Z-4.

A operação é gigante — talvez a maior da história do clube em termos de volume projetado —, mas virou refém do calendário e da burocracia. Lamacchia pode ter R$ 3 bilhões na manga, mas o Vasco precisa de reforço *agora*, de resultado *agora*, de solução com a 777 *agora*. Empurrar a conclusão para 2027 é apostar que o time aguenta mais um semestre na corda bamba, que a Justiça homologa tudo sem percalços, que a ANRESF não veta, que nenhum outro investidor supera a oferta e que o rombo mensal de R$ 25 milhões não explode antes. No papel, o plano impressiona; na prática, o risco de implodir no meio do caminho é real — e o 17º lugar no Brasileirão é o retrato mais honesto disso. O Expresso pode chegar em 2027, mas se o trilho ceder antes, não haverá estação de chegada.

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Publicado em 17 de julho de 2026

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