Bap ameaça justiça contra compra da SAF: 'Não pode estar com pé em duas canoas'

Presidente do Flamengo afirma que acionará a Justiça caso Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, concretize a aquisição de 90% da SAF vascaína. Dirigente alega conflito de interesses por relação familiar.

Bap presidente Flamengo

'O problema é estar casado com a sua mulher e quer casar com outra. Pelo código civil, você precisa separar da primeira. Não pode estar com um pé em cada clube' — a frase é de Bap, presidente do Flamengo, em entrevista ao Charla Podcast, na qual o dirigente rubro-negro voltou a atacar a negociação envolvendo a SAF do Vasco.

Bap afirmou que acionará a Justiça caso Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, concretize a operação para adquirir 90% da SAF vascaína. O argumento central do dirigente é que a relação familiar entre Lamacchia e Leila tornaria o negócio ilegal.

'O problema não é ser com o enteado da Leila, em que pese a lei dizer que enteado é relação familiar e não pode', declarou Bap. 'Continua sendo familiar. Ela sai agora do clube que ela está e entra amanhã. Ou espera acabar o mandato e em outubro do ano que vem entra no Vasco. Não pode estar com o pé em duas canoas, é contra a lei.'

O presidente do Flamengo tentou desvincular a questão de uma suposta rivalidade institucional. 'Não é o Bap, o Flamengo malvadão, é a lei. Se forçarem uma barra nisso, vamos na justiça novamente. Porque a lei é para ser cumprida', completou.

Curiosamente, Bap também fez elogios ao Vasco durante a entrevista. 'Para o futebol carioca ter um Vasco forte é excepcional. O Vasco é um dos maiores clubes do Brasil, é importante estar em uma situação melhor', afirmou, antes de concluir: 'Não é legal.'

A crítica de Bap ao que considera conflito de interesses não é recente. O dirigente vem se manifestando há meses sobre a situação. Marcos Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e dono da financeira Crefisa — patrocinadora máster do Palmeiras. A proposta em negociação prevê a compra de 90% da SAF por pouco mais de R$ 2 bilhões.

As negociações entre o Vasco e o grupo de Lamacchia estão em estágio avançado. As partes seguem realizando ajustes em contratos para que haja a assinatura do Memorando de Entendimento (MoU, na sigla em inglês), documento que oficializaria a intenção das duas partes pela compra da Vasco SAF.

O imbróglio jurídico levantado por Bap coloca mais um ingrediente em uma novela que se arrasta há meses. A argumentação do presidente do Flamengo baseia-se na interpretação de que a relação de parentesco entre Lamacchia e Leila Pereira criaria um vínculo indireto entre Palmeiras e Vasco, o que seria vedado pelas regras do futebol brasileiro.

Para o torcedor vascaíno, a declaração de Bap adiciona incerteza a um processo que promete injetar capital significativo no clube. A cifra de R$ 2 bilhões representa um dos maiores investimentos já vistos em SAFs do futebol brasileiro, e a concretização do negócio poderia alterar profundamente a capacidade competitiva do Vasco.

A ameaça de judicialização, contudo, levanta dúvidas sobre o cronograma da operação. Caso o Flamengo de fato acione a Justiça, o processo de aquisição poderia enfrentar atrasos significativos, mesmo com as negociações avançadas.

A posição de Bap reflete uma leitura restritiva das normas sobre propriedade cruzada e conflito de interesses no futebol. A questão central está em definir até que ponto relações familiares indiretas configuram impedimento legal — tema que poderá ser dirimido nos tribunais caso a ameaça se concretize.

Por ora, Vasco e Lamacchia seguem em conversas para finalizar os termos contratuais. A assinatura do MoU será o próximo passo concreto — e também o momento em que a promessa de Bap poderá ser testada.

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Publicado em 14 de junho de 2026

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