Bianca Reis deixa diretoria jurídica da SAF enquanto 777 enfrenta exigências da Justiça
Bianca Reis não é mais diretora jurídica da Vasco SAF nesta terça-feira. Segundo o ge.globo, ela ocupava o cargo desde setembro de 2024. A informação foi publicada primeiramente pela página Colina 1927 e confirmada pelo ge.
Nos bastidores, a mudança era vista como natural. Segundo o ge.globo, Bianca Reis era próxima do ex-VP jurídico Felipe Carregal, que foi exonerado no mês passado. A advogada já havia sinalizado ao alto escalão da SAF que queria deixar o futebol vascaíno. Entende-se internamente que a advogada ficou exposta após a exoneração de Carregal e de outros membros da diretoria administrativa.
Um episódio recente também agravou a situação. Segundo o ge.globo, em entrevista ao jornalista Lucas Pedrosa, José Lamacchia, pai do investidor Marcos Lamacchia, afirmou que Carregal pediu cargos para ele e para Bianca Reis na futura nova SAF do Vasco.
A advogada Bianca Reis é especialista em Responsabilidade Civil, Direito Processual Civil, Gestão de Futebol e pós-graduanda em Direito Desportivo. Segundo o ge.globo, ela faz parte do Conselho da OAB/RJ e das respectivas comissões de Direito Desportivo, da Mulher, de Celeridade Processual e de Prerrogativas.
Em paralelo, a Justiça de São Paulo se manifestou na interpelação judicial apresentada pela 777 Carioca contra a Almirante Participações, empresa que firmou acordo para adquirir a Nova SAF do Vasco. Segundo a Colina 1927, neste primeiro momento, a magistrada não analisou o mérito da interpelação. Em vez disso, determinou que a 777 regularize sua representação processual no prazo de 15 dias.
Entre as exigências, a empresa deverá comprovar quem possui poderes para representá-la no Brasil e apresentar sua documentação societária em português, por meio de tradução juramentada, além de indicar a cláusula que confere poderes para a outorga da procuração. Também deverá provar que possui filial, agência ou sucursal no Brasil, ou seja, deverá indicar o endereço da sede da empresa.
A tradução juramentada é uma tradução realizada por um tradutor público habilitado, que possui validade legal no Brasil. Como a 777 é uma empresa estrangeira, seus documentos societários precisam estar traduzidos dessa forma para que possam ser utilizados no processo. Caso a 777 não cumpra as determinações dentro do prazo fixado, a ação poderá ser extinta sem que a Almirante seja interpelada.
## Análise Expresso98
A saída de Bianca Reis da diretoria jurídica da SAF chega em momento delicado, com a 777 Partners contestando judicialmente a operação que traria a Almirante Participações como nova investidora do clube. A advogada ocupava o cargo desde setembro do ano passado e era próxima de Felipe Carregal, exonerado no mês passado — movimento que, segundo o ge.globo, já sinalizava internamente que ela também deixaria o futebol vascaíno. A declaração de José Lamacchia, pai do empresário Marcos Lamacchia, sobre supostos pedidos de cargos na futura SAF agravou o desgaste e acelerou o desfecho. A transição ocorre enquanto o Vasco ocupa o 17º lugar do Brasileirão, com 21 pontos em 20 jogos, e enfrenta uma sequência de cinco derrotas consecutivas.
Do ponto de vista institucional, a renovação de quadros pode abrir espaço para uma gestão mais alinhada ao novo momento que o clube busca construir. A advogada já havia sinalizado ao alto escalão da SAF que desejava sair, o que indica que a mudança foi tratada internamente como natural — movimentos planejados tendem a causar menos rupturas do que exonerações abruptas. Paralelamente, a determinação da Justiça de São Paulo impondo à 777 a regularização de sua representação processual em 15 dias pode, caso não cumprida, levar à extinção da ação sem que a Almirante seja interpelada, abrindo caminho para a conclusão da operação. A autorização de Marcos Lamacchia para cinco reforços e a viagem de Admar à Argentina mostram que a diretoria esportiva segue ativa no mercado.
A instabilidade jurídica, porém, permanece como obstáculo central. A 777 contesta a operação e a falta de definição sobre a nova SAF pode travar ou atrasar movimentações financeiras do clube, como já ocorre na negociação por Santiago Sosa — o Racing exige avais de pagamento que o Vasco ainda não apresentou. O parecer do Conselho Fiscal apontou ausência de diretor financeiro formalmente nomeado desde março, investimentos próximos de R$ 100 milhões sem análises de compatibilidade e falta de aprovação das demonstrações de 2024, quadro que se agrava com a saída de Bianca Reis e a lacuna deixada na área jurídica. A sequência de cinco derrotas no Brasileirão reflete, em campo, a turbulência institucional que ainda não foi resolvida.
Do ponto de vista do Expresso98, a saída de Bianca Reis é mais sintoma que causa — ela se insere num processo maior de renovação de quadros após a exoneração de Carregal e outros diretores administrativos. A mudança era esperada internamente e pode ser gerida sem grandes traumas, mas não resolve o problema de fundo: enquanto a 777 e a Almirante seguirem em disputa judicial, o Vasco continuará funcionando sob constrangimentos financeiros e operacionais que impedem a direção esportiva de atuar com eficácia no mercado e que travam decisões estruturantes. A decisão da Justiça paulista, ao exigir que a 777 comprove sua representação legal no Brasil em 15 dias, pode ser o primeiro passo para destravar o impasse — mas, até lá, o clube segue em compasso de espera, com o relógio da janela de transferências correndo e a classificação pressionando. O futebol cobra resultado, e a indefinição institucional cobra seu preço em campo.
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