Comissão vota hoje destino de 21 indiciados na venda da SAF
Conselho Deliberativo define nesta quarta penas para ex-diretores acusados de irregularidades na constituição da SAF e venda para a 777 Partners. Relatório aponta pagamento sem contrapartida e dívida escondida de R$ 200 milhões.

A comissão de inquérito do Conselho Deliberativo se reúne na tarde desta quarta-feira para bater o martelo: qual será o destino dos 21 indiciados pelas irregularidades na constituição da SAF do Vasco e na venda para a 777 Partners? O processo, que começou em junho de 2024 e levou um ano e meio de trabalho, chega ao momento decisivo.
Entre os indiciados está o ex-presidente Jorge Salgado, que comandava o clube quando a SAF foi criada e vendida aos americanos. As penas previstas no estatuto vão de advertência até eliminação ou desligamento do quadro social — e tudo depende do voto dos sete conselheiros que compõem a comissão.
O relatório preliminar, entregue em 6 de outubro do ano passado, trouxe acusações pesadas. A principal: um pagamento de R$ 775.833,34 a uma empresa de Blumenau sem que a comissão encontrasse qualquer indício de que a empresa prestou serviço ao Vasco. Dinheiro saiu, contrapartida não apareceu.
Mas não para por aí. O documento cita depoimento de um ex-funcionário afirmando que o valor da dívida do clube associativo foi forjado no balanço patrimonial apresentado antes da criação da SAF. Nas palavras da própria comissão, ficou 'embaixo do tapete' uma dívida dissimulada de mais de R$ 200 milhões. A conta não batia — e alguém sabia.
A comissão identificou o que chamou de 'Núcleo Central Decisório', grupo responsável por todas as etapas do processo, da conversa inicial até a assinatura com a 777. Entre os indiciados da antiga diretoria estão Carlos Roberto Osório (1º vice-presidente geral), Roberto Duque Estrada (2º vice-presidente geral), Adriano Mendes (vice de Finanças), Zeca Bulhões (vice Jurídico) e Horácio Junior (vice de História e Responsabilidade Social). Luiz Mello, que foi CEO do Vasco e depois da SAF, não entrou na lista por não fazer parte do quadro societário do clube — foge da competência da comissão.
Também foram indiciados Carlos Fonseca, ex-presidente do Conselho Deliberativo, Otto de Carvalho, ex-presidente da Assembleia Geral, e 13 membros da comissão de parecer que avaliou o negócio na época, entre eles Silvio Almeida, hoje vice de finanças da gestão Pedrinho.
Os acusados tiveram 15 dias úteis para apresentar defesa após a citação. Agora, os sete conselheiros — José Henrique Carvalho Gonçalves (presidente), Cláudio Pereira Gomes (relator), Luiz Gustavo de Menezes Ribeiro, Jorge Luiz Moraes, José Pedro Mota de Souza Ferreira, André Luiz Vieira Afonso e Emmanoel Ursulino de França Filho — votam o encaminhamento disciplinar de cada indiciado.
Ao fim da reunião, as conclusões vão para João Riche, presidente do Conselho Deliberativo, que decidirá os próximos passos. O Vasco espera respostas — e justiça.
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