Conselho convoca reunião: Campello e Salgado na berlinda, e a conta da 777 pode custar a expulsão
João Riche marcou duas sessões virtuais para 15 e 22 de outubro. Comissão de inquérito recomenda expulsão de Salgado por negócio com a 777; Campello responde por Kappa. Aliados de ambas as gestões também estão no rol.

Na última sexta-feira, o presidente do Conselho Deliberativo do Vasco, João Riche, enviou convocação para duas reuniões em modalidade exclusivamente virtual, agendadas para os dias 15 e 22 de outubro. As sessões terão como pauta a análise de relatórios das comissões de inquérito que investigaram atos das administrações dos ex-presidentes Alexandre Campello e Jorge Salgado.
Os relatórios, concluídos nos últimos dias por comissões formadas em junho de 2024, recomendam punições que vão de suspensão temporária à expulsão definitiva do quadro social do clube. O mais grave dos casos envolve o próprio Jorge Salgado, antecessor de Pedrinho e grande benemérito vascaíno: a comissão de inquérito recomenda sua expulsão do clube em razão do processo de venda da SAF para a 777 Partners.
O julgamento de Salgado ocorrerá no dia 22 de outubro. Em contato com o ge.globo, o ex-presidente afirmou já ter entregue sua defesa à comissão e aguardar a reunião. "Vou respeitar a decisão do Conselho", declarou Salgado. Recentemente, o ex-mandatário ingressou com ação criminal no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra todos os sete membros da comissão de inquérito, acusando-os de calúnia e difamação.
Em agosto, o Ministério Público se manifestou por audiência de reconciliação, recusada por Salgado. Nova data de audiência está marcada para 5 de outubro. O Ministério Público solicitou audiência especial para possível oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal aos membros da comissão.
Salgado não foi o único a recorrer à Justiça. Os ex-vice-presidentes Adriano Mendes e Zeca Bulhões também entraram com ação judicial e acusam diversas falhas no processo, assim como Carlos (Cadu) Fonseca, ex-presidente do Conselho Deliberativo. Os três se recusaram a comparecer ao clube quando convocados pela comissão.
O segundo ex-presidente sob julgamento é Alexandre Campello, cujo caso será apreciado no dia 15 de outubro. Campello, que presidiu o clube no triênio 2018-2020, responde por questões relacionadas à extensão de contrato com a Kappa, fornecedora de material esportivo. Em depoimento à comissão, Campello justificou o acordo pela cessão de dividendos às categorias de base e pelas dificuldades de encontrar alternativas em meio à pandemia de covid-19.
A votação sobre Campello dividiu a comissão de inquérito: três votos pela absolvição, dois pela expulsão e mais dois pela suspensão de seis meses. Procurado pelo ge.globo, Campello lamentou o processo, que considera fruto da política vascaína. "Só posso lamentar que com tantos problemas graves no clube, questões políticas, pessoais sejam motivo de atenção. Será que o contrato da Nike foi melhor do que o da Kappa? Eles sabem que o país enfrentou uma pandemia e esse era o contexto do momento?", questionou.
Além de Salgado e Campello, outro nome com recomendação de punição é o de Julio Brant. Candidato pelo grupo Sempre Vasco em três das últimas quatro eleições, Brant rompeu com o grupo político antes do pleito de 2023 vencido por Pedrinho. O relatório recomenda a exclusão de Brant também pelo processo de venda da SAF, uma vez que ele integrou a comissão que aprovou a negociação. Brant renunciou ao Conselho Deliberativo em março do ano passado. Procurado pelo ge.globo, Julio Brant não retornou o contato da reportagem.
O julgamento dos relatórios obedece a dois critérios distintos: no caso de beneméritos e conselheiros — como Salgado —, a votação cabe ao Conselho Deliberativo; no caso de apenas sócios — como Campello e Brant —, a decisão é prerrogativa do presidente da diretoria administrativa, Pedrinho.
A reunião do dia 15 analisa dois pontos principais além do caso da Kappa: a análise sobre o aumento significativo nas contingências trabalhistas do clube a partir de 2020 — por este ponto, Campello foi absolvido, mas Adriano Mendes e Paulo Reis, ex-vice-presidente jurídico e benemérito do clube que prestava serviços para a gestão Campello, têm recomendação de suspensão temporária — e a análise sobre possíveis irregularidades em contratos com fornecedores, na qual Campello também foi absolvido.
Outros aliados políticos de Salgado igualmente constam do rol de possíveis sanções. Os ex-vice-presidentes Carlos Roberto Osório e Roberto Duque Estrada — hoje apenas sócios, portanto julgados por Pedrinho — estão na lista, assim como o ex-presidente da Assembleia Geral e benemérito Otto de Carvalho. Outro benemérito, José Carlos Osório, também entra na lista de possíveis sanções no Conselho. José Carlos Osório era um dos 13 membros que participaram da comissão que aprovou o parecer da venda do futebol do Vasco para a 777.
As comissões de inquérito investigaram dois períodos administrativos cujos desdobramentos ainda repercutem na gestão atual do clube cruzmaltino. O desenrolar dos julgamentos nos próximos dias poderá resultar em punições inéditas a figuras centrais da política vascaína recente.
Com informações do ge.globo, por Raphael Zarko.
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