Consórcio Fla-Flu trava acesso do MP ao Maracanã após abertura de inquérito por superlotação

Consórcio Fla-Flu trava acesso do MP ao Maracanã após abertura de inquérito por superlotação

O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaedest/MPRJ) enfrenta dificuldades para investigar irregularidades na venda de ingressos e superlotação no Maracanã após a abertura de inquérito em 31 de outubro. Segundo informações do blog de Diogo Dantas, do jornal O Globo, o consórcio Fla-Flu Serviços S.A passou a restringir o acesso a informações que antes eram disponibilizadas normalmente.

A partir do ofício aos envolvidos, as planilhas dos jogos e o sistema de reconhecimento facial que comprova o número de torcedores deixaram de ter acesso liberado. No jogo entre Fluminense e Platense pela Libertadores, na última terça-feira, o monitoramento em tempo real da entrada de público ficou restrito. Responsáveis pela empresa de tecnologia afirmaram que não poderiam mais passar informação e ficaram com pé atrás. A saída do diretor de operações Severiano Braga e a chegada do novo CEO, Fred Nantes, também representou mais obstáculos para a investigação.

O inquérito foi aberto após análise de planilhas e laudos que comprovaram irregularidades em jogos de Flamengo e Fluminense desde 2025. Os promotores frequentaram os jogos e constataram que o volume de entrada de torcedores, sobretudo nas partidas do Flamengo, excedia a capacidade do estádio e de alguns setores, principalmente o norte e das cadeiras cativas. As planilhas mostraram que o Fluminense disponibilizou mais ingressos que o permitido em cinco jogos, e o Flamengo, além disso, superlotou o setor norte e as cativas em pelo menos seis de 12 jogos investigados.

O amistoso entre Brasil e Panamá antes da Copa do Mundo, em maio, organizado pela CBF, foi usado como parâmetro. Com lotação esgotada, a partida teve setores dentro do que preveem os laudos de segurança, além de não comercializar ingressos no chamado setor oeste superior, que surgiu dentro das cadeiras cativas. A percepção das autoridades é que a prática de superlotação seguiu ocorrendo até o jogo entre Flamengo e Botafogo, na última semana.

Flamengo, Fluminense, Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e empresas que prestam serviço, além do consórcio Fla-Flu Serviços, têm até a próxima semana para dar explicações. Todos foram oficiados e solicitaram cópias dos procedimentos antes de uma resposta. O Fluminense negou a acusação por meio de nota: "O Fluminense F. C. não comercializa ingressos acima da carga em nenhum setor do Maracanã". O Flamengo não respondeu. A Ferj afirmou que "prestará as informações solicitadas ao Ministério Público dentro do prazo estipulado".

Em entrevista coletiva na sexta-feira para falar sobre o gramado do Maracanã, Fred Nantes comentou a investigação. "Vamos responder, como já fizemos outras vezes, a todas as informações solicitadas, dentro do prazo e pelos canais oficiais, como sempre fizemos. Temos uma ótima colaboração com o Ministério Público e trabalhamos muito bem com eles, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações que forem solicitadas. Vejo isso muito mais como uma questão midiática do que qualquer outra coisa", disse o CEO.

O MP-RJ espera o posicionamento dos clubes e do consórcio para propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), evitando a judicialização do caso e o prejuízo aos clubes no restante da temporada. As consequências da Lei Geral do Esporte preveem, pelo artigo 147, que as equipes que venderem bilhetes acima da capacidade fiquem proibidas de atuar em estádios de sua cidade por até seis meses.

Na mesma coletiva, Nantes afirmou que as negativas recentes ao Vasco para utilização do Maracanã ocorreram por questões técnicas relacionadas às condições do gramado. Segundo o ge.globo, o executivo disse que o clube ainda não fez uma solicitação para disputar no estádio a semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras, em novembro. Questionado sobre a possibilidade de o Vasco mandar um jogo da Sul-Americana no Maracanã caso avance à semifinal, Nantes respondeu: "Depois de tudo que eu apresentei aqui, tu acha que a gente tem alguma condição técnica de fazer alguma coisa a mais no gramado do Maracanã? Um evento a mais do que a gente é obrigado a fazer? A gente ainda não recebeu nenhuma solicitação do Vasco, mas todas as negativas que demos foram por questões técnicas".

Com informações do GE Vasco, que cita Blog Diogo Dantas - O Globo.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 12 de setembro de 2026

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