Contrato Nike: Vasco aposta em royalties progressivos de 12% a 18%
Acordo válido até 2032 não prevê valores fixos e remunera clube por vendas e títulos. Modelo dividiu diretoria vascaína, com parte preferindo proposta da Puma. Fisia garante R$ 7,2 milhões anuais em produtos.

Quando a Nike e o Vasco da Gama assinaram o acordo de fornecimento esportivo em 9 de maio de 2025, o clube cruzmaltino escolheu um modelo diferente da maioria dos contratos do mercado brasileiro. Ao invés de valores fixos garantidos, o contrato aposta na força da marca vascaína para gerar receita pela venda de produtos licenciados — um modelo que divide opiniões dentro de São Januário.
O acordo, válido de 2026 a 2032, estrutura a remuneração em dois pilares principais: royalties sobre vendas e bônus por títulos conquistados. A tabela de royalties opera em três faixas progressivas: 12% sobre as primeiras 200 mil unidades vendidas por ano; 15% entre 200.001 e 500 mil unidades; e 18% acima de 500 mil unidades. Não há previsão de pagamentos fixos ao clube — característica que diferencia o acordo vascaíno da maioria dos contratos convencionais no futebol brasileiro.
No campo dos bônus de performance, o contrato estabelece premiações escalonadas por títulos do futebol profissional masculino: R$ 1,5 milhão pelo Mundial de Clubes da Fifa, R$ 650 mil pela Copa Intercontinental, R$ 600 mil pela Libertadores, R$ 400 mil pelo Brasileirão, R$ 325 mil pela Copa do Brasil, R$ 275 mil pela Sul-Americana, R$ 100 mil pelo Carioca, e R$ 50 mil por Supercopa ou Recopa. Para o futebol feminino, há apenas premiação de R$ 50 mil pelo título estadual da primeira divisão.
A escolha pela Nike, segundo apuração, dividiu a direção cruzmaltina. Parte da diretoria de Pedrinho defendia a marca norte-americana pelo posicionamento de mercado e pela representatividade global da empresa. Outra corrente, envolvendo representantes da SAF e do associativo, preferia a proposta da Puma, considerada financeiramente superior. A marca alemã acabou fechando com o Fluminense.
Em valores de luvas, as ofertas concorrentes variavam: Diadora ofereceu R$ 1 milhão, Kappa e Puma R$ 500 mil cada, e Mizuno R$ 300 mil. Quanto aos royalties, as outras marcas ofereciam taxas de 18% a 20% com projeção de 400 mil peças vendidas — faixa que a Nike só alcança ao ultrapassar 500 mil unidades. A título de comparação, o Flamengo recebe 35% de royalties em seu acordo.
O contrato prevê, por outro lado, a maior verba de marketing entre as propostas apresentadas: mínimo de R$ 2 milhões anuais, o dobro do máximo oferecido por concorrentes. A Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil, fornece gratuitamente ao clube R$ 7.218.227,00 em produtos para o futebol por ano, valor corrigido pelo IPCA. O Vasco ainda recebe 3 mil unidades anuais de produtos Nike de natureza esportiva, não necessariamente personalizados com a marca cruzmaltina.
Em cenário hipotético de 400 mil unidades vendidas por ano a valor médio de R$ 200 por produto, o clube receberia R$ 4,8 milhões pelas primeiras 200 mil unidades (12%) e R$ 6 milhões pelas 200 mil seguintes (15%), totalizando R$ 10,8 milhões em royalties.
O acordo traz cláusulas de proteção para ambas as partes em caso de queda de desempenho esportivo. Se o time profissional masculino permanecer fora da Primeira Divisão por dois anos consecutivos ou mais, o terceiro ano e os subsequentes nesta condição terão redução automática de 30% no valor anual mínimo de marketing e royalties. Caso a permanência na Série B se estenda por três anos consecutivos ou mais, tanto Vasco quanto Nike podem solicitar a rescisão contratual mediante notificação prévia por escrito com 12 meses de antecedência.
O Vasco integra agora o seleto grupo de três clubes brasileiros fornecidos pela Nike, ao lado de Corinthians — cujo acordo vai até 2035 com entrega anual de até 60 mil itens estimados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões — e Atlético-MG, que fechou contrato de quatro anos em 2026. Procurado, o clube cruzmaltino optou por não comentar os detalhes do acordo.
Com informações do GE Vasco, por Raphael Zarko.
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