Crise interna fez Vasco perder técnico antes de acertar Seabra
A instabilidade jurídica e política do clube custou caro na busca por um novo comandante. Acordo com Franclim Carvalho, do Botafogo, havia sido alcançado, mas travou pela indefinição de quem manda em São Januário.

Quem manda no Vasco? A pergunta que assombra torcedores há meses também afastou um técnico. A direção cruzmaltina havia chegado a acordo verbal com Franclim Carvalho, atual treinador do Botafogo, mas a instabilidade jurídica e política do clube travou a conclusão do negócio.
Nas últimas conversas, Franclim disse ao Vasco que temia repetir a experiência de Álvaro Pacheco, que desembarcou em São Januário em maio de 2024 em meio à indefinição jurídica, quando Pedrinho acabara de assumir o controle da SAF com a 777 afastada. O português havia gostado do projeto apresentado pelo diretor Admar Lopes e da valorização salarial proposta, mas só pretendia finalizar o negócio se soubesse quem 'manda' no clube.
O Vasco tinha urgência para definir o próximo treinador antes do retorno do calendário de jogos. Como não recebeu resposta no prazo estipulado, retirou a proposta. Foi aí que Fernando Seabra virou prioridade.
O clube mapeou o mercado desde os primeiros dias após a demissão de Renato Gaúcho, com foco inicial em técnicos estrangeiros. A pressa esbarrou nas barreiras criadas pelo afastamento de Pedrinho do comando da SAF e pela renúncia da interventora judicial por questões de segurança.
Os primeiros contatos com Seabra aconteceram na última semana. O CEO Fred Luz avisou ao Coritiba, via William Thomas, que faria proposta ao comandante. Admar Lopes viajou para Curitiba e apresentou o projeto de futebol. O Vasco sinalizou com valorização salarial cerca de três vezes maior que o valor atual do treinador.
Seabra já havia recebido contatos de Santos e Atlético-MG nos últimos meses, mas não abriu negociações por confiança no projeto do Coritiba. O caso vascaíno, porém, foi considerado diferente, tanto pela valorização financeira quanto pelo projeto esportivo ambicioso. Antes de aceitar, o treinador conversou com outros técnicos e jogadores que passaram por São Januário. As referências o animaram, sobretudo os relatos sobre a visão de Pedrinho em relação ao trabalho do treinador.
A rescisão de contrato com o Coritiba gira em torno de R$ 5 milhões. A forma de pagamento foi tratada na reunião desta quarta-feira entre a diretoria vascaína e a cúpula do clube paranaense.
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