De volta à elite: o feminino do Vasco reencontra a Série A1 por onde Marta começou a história
Depois de dez anos, o Vasco volta à primeira divisão do futebol feminino — o mesmo clube que revelou Marta em 2000 e viu a Rainha marcar seis gols na Copa do Mundo Sub-19 com a camisa cruzmaltina.

'No Vasco, eu não recebia um salário. Era uma ajuda de custo, o mínimo do mínimo.' A fala é de Marta, relembrando os primeiros anos da carreira — quando tinha 14 anos, viajou mais de 2.000 km desde Dois Riachos, em Alagoas, para fazer testes no Vasco da Gama.
Era 2000. Marta chamava atenção no Centro Sportivo Alagoano (CSA) e impressionou desde o primeiro dia no clube carioca. Foi acolhida pela técnica Helena Pacheco, que virou sua mentora.
Em 2001, conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-19 pelo Vasco. No ano seguinte, aos 16 anos, disputou a Copa do Mundo Sub-19 pelo Brasil representando o clube. O Brasil ficou em quarto, mas Marta foi artilheira da competição, com seis gols, e ainda recebeu a Bola de Prata como a segunda melhor jogadora do torneio.
A passagem, porém, termou em 2003, quando o Vasco desativou o departamento feminino por dificuldades financeiras. 'Foi um momento meio desesperador para mim, porque eu não queria voltar para Alagoas. Queria continuar no eixo Rio-São Paulo, onde a visibilidade era muito maior. E fiquei sem saber o que fazer', disse Marta.
Pacheco encontrou uma nova equipe para a jovem craque, e Marta seguiu carreira no Santa Cruz, de Minas Gerais. Dali em diante, o mundo conheceu a Rainha: três indicações ao Ballon d'Or, quatro títulos consecutivos do Damallsvenskan pelo Umeå IK, da Suécia, quatro títulos do Sudamericano Feminino, maior artilheira da história da Seleção Brasileira (entre homens e mulheres), com 122 gols, e maior goleadora da história das Copas do Mundo, com 17 gols.
O Vasco, por sua vez, ficou uma década fora da elite. Disputou a Série A1 pela última vez em 2016. Há dois anos, estava na terceira divisão.
Neste sábado, 22 de agosto de 2026, o clube voltou à primeira divisão. Venceu o Taubaté por 2 a 1 no jogo de volta das quartas de final da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino — já tinha vencido a ida por 2 a 0. O acesso saiu no fim de semana em que o clube celebrou 128 anos de fundação e 103 anos de história do futebol feminino.
Em 2027, o Vasco está de volta à elite.
Marta, hoje aos 40 anos e defendendo o Orlando Pride, dos Estados Unidos, nunca esqueceu o clube onde começou. Ainda este ano, o futebol feminino do Vasco criou um kit de boas-vindas para as novas contratações com uma mensagem da própria Rainha relembrando os três anos no clube. Neste mês, o time feminino visitou o Memorial Rainha Marta, em Maceió.
A história do futebol feminino vascaíno começou em 1923, com o Sport Club Feminino Vasco da Gama, formado por sócias e torcedoras inspiradas pelas Camisas Negras — o time masculino que, naquele ano, lutou contra o racismo e conquistou o Campeonato Carioca. Aquele primeiro time não era oficialmente reconhecido, mas atuou até 1941, quando o governo de Getúlio Vargas proibiu a prática do futebol feminino no Brasil.
O esporte só voltou a ser regulamentado oficialmente em 1983. O Vasco retomou o futebol feminino na década de 1990 e dominou o cenário nacional: quatro títulos de liga ao longo da década, além de revelar Pretinha, Fanta, Cenira e Meg.
Agora, 2026 marca uma nova fase. Depois de anos na segunda e terceira divisões, o clube vem retomando espaço com mais investimentos e campanhas de arrecadação voltadas ao futebol feminino.
Com informações do NetVasco, que cita Ballon D'Or.
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