Defesa blindada: Vasco de Pedro Emanuel encerra jejum histórico
Pela primeira vez em 2026, o Cruz-Maltino passa dois jogos seguidos sem sofrer gol. Sob comando do português, setor defensivo mostra evolução enquanto vizinhos da tabela seguem vazando água — e o Vasco sobe.

O Vasco saiu de São Januário sem sofrer gol pela segunda partida consecutiva. Parece pouco? É marco histórico na temporada 2026 — pela primeira vez no ano, o Cruz-Maltino consegue encadear duas partidas com a meta inviolada. Algo que certo time lá de cima, com quase o dobro de pontos, não pode dizer que tem feito com tanta frequência ultimamente.
Contra o Fluminense, neste sábado, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o empate sem gols carimbou a evolução defensiva sob comando de Pedro Emanuel. São apenas cinco jogos desde a chegada do português, mas a avaliação interna é clara: houve melhora evidente no sistema defensivo. E em apenas cinco partidas de trabalho, vale dizer — para os dias que são, é bastante.
Pedro Emanuel avisou desde o início: melhorar o setor defensivo seria o foco do trabalho. Os treinos são curtos diante do calendário apertado — Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana em sequência —, mas o técnico concentra as atividades no que considera essencial: posicionamento, balanço defensivo e comportamento em transição. O time rodar de um lado para o outro quando o adversário muda a jogada de lado, fechar espaços, reagir rápido. Fundamentos que pareciam esquecidos voltam à rotina do CT Moacyr Barbosa.
"Estamos em uma crescente. É o início de um trabalho com um treinador novo. A gente quer evoluir principalmente ter uma sequência de vitórias. Saímos sem levar gol mais um jogo, esperamos vencer na quarta. O clube merece ter essa sequência de vitória e merece subir na tabela do Brasileiro. Temos que valorizar isso também", analisou o volante Jair após a partida.
E merece mesmo. Atualmente na 18ª posição com 21 pontos em 20 jogos disputados, o Vasco vive momento delicado no Brasileirão — cinco vitórias, seis empates e nove derrotas na conta —, mas a chegada de Pedro Emanuel trouxe algo que faltava: discurso coeso e valorização do elenco. Internamente, a postura do treinador tem sido bem recebida. Quando perguntado sobre reforços ou jogadores, o português sempre valoriza o grupo. Contraste gritante com o desgaste dos bastidores na era anterior.
Vale lembrar: o trabalho de Renato Gaúcho ficou desgastado nos bastidores também porque ele, em duas entrevistas coletivas diferentes, comentou abertamente a necessidade de reforços, citando falta de profundidade e qualidade do elenco. Pedro Emanuel escolheu caminho oposto — e o vestiário responde.
"Ele tem passado muita confiança e passado aos poucos a metodologia de trabalho. Sabe tirar o melhor de cada atleta e dar confiança, porque foi vencedor. São poucos dias de trabalho mas muitos jogos. Podem ser só cinco jogos, mas para os dias que são é bastante. Tem sido positivo, ele vai ser importante para nós", afirmou Paulo Henrique.
Ainda não houve tempo hábil para criar relações mais específicas com cada atleta, mas o técnico foca no essencial no pouco tempo livre entre partidas. O discurso é aceito pela forma como é comunicado — valorizando o grupo, protegendo o elenco, construindo confiança.
Por outro lado, o Vasco ainda mostra muita dificuldade no setor ofensivo. A falta de criatividade para definir jogadas é evidente. Nos cinco jogos sob comando de Pedro Emanuel, o time saiu sem marcar em duas partidas. O treinador rodou David, Brenner e Spinelli como centroavantes, mas ainda não encontrou solução para o ataque. A defesa evoluiu — agora falta o mesmo movimento no terço final do campo.
O desafio é duplo: manter a solidez defensiva conquistada e desbloquear o setor ofensivo. Com o calendário tripartido entre Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, Pedro Emanuel tem pouco tempo de treino para ajustar ambos os sistemas. Mas se em cinco jogos conseguiu zerar o vazamento por duas partidas seguidas — algo inédito no ano —, há espaço para otimismo controlado.
Na quarta-feira, o Vasco volta a campo pela volta das oitavas da Copa do Brasil. A missão é vencer e avançar na competição. Com a defesa mais sólida, o time busca agora reencontrar o caminho das redes. Pedro Emanuel tem 90 minutos para provar que a evolução não se limita ao setor defensivo — e que o Vasco pode, sim, encadear aquela sequência de vitórias que Jair citou e que a torcida cobra.
Enquanto isso, na tabela do Brasileirão, o Cruz-Maltino segue na 18ª posição, mas com margem para subir caso consiga engatar triunfos. O Fluminense, adversário deste sábado, ocupa a 4ª colocação com 34 pontos em 21 jogos — nove vitórias, sete empates e cinco derrotas. No retrospecto direto dos últimos cinco confrontos, o Vasco tem uma vitória, o Fluminense duas, e dois empates completam a conta.
Pedro Emanuel sabe que o tempo é curto e a cobrança é grande. Mas o português também sabe que está no caminho certo. A defesa responde. Agora falta o ataque despertar. E quando isso acontecer — não se for, mas quando —, o Vasco terá as ferramentas para subir na tabela, avançar nas copas e calar quem apostou contra. Porque em cinco jogos, o Cruz-Maltino já mostrou que sabe fechar a porta. Falta só arrombar a do adversário.
Com informações do GE Vasco, por Sergio Santana.
## Análise Expresso98
O Vasco encerra um jejum defensivo que ganhou contornos de marco histórico na temporada: pela primeira vez em 2026, o Cruz-Maltino encadeou duas partidas sem sofrer gols. Pode parecer modesto, mas reflete a realidade de um time que, em 20 jogos de Brasileirão, acumula apenas cinco vitórias, seis empates e nove derrotas, amargando a 18ª posição com 21 pontos e saldo negativo de oito gols. Pedro Emanuel completou cinco partidas no comando — tempo curto, mas suficiente para imprimir mudanças visíveis no comportamento defensivo. O empate sem gols contra o Fluminense, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, carimbou a evolução no setor de contenção, ao mesmo tempo em que escancarou a dificuldade crônica no ataque: duas partidas sem marcar sob o português, e nenhuma solução clara entre David, Brenner e Spinelli no comando do setor ofensivo.
A favor do trabalho de Pedro Emanuel pesa o discurso coeso e a valorização do elenco, contraste gritante com o desgaste da era Renato Gaúcho — que, em duas entrevistas, expôs abertamente a falta de profundidade do grupo. O português escolheu caminho oposto, protegendo os atletas e construindo confiança internamente, postura bem recebida no vestiário. A defesa, foco declarado do treinador desde o início, responde: posicionamento, balanço defensivo e comportamento em transição voltaram à rotina do CT Moacyr Barbosa. Jair, de volta após dez meses de lesão e capitão contra o Fluminense, resume o sentimento interno ao citar a "crescente" e a busca por uma sequência de vitórias que o clube merece. Santiago Sosa, reforço que chega para dobrar seu salário e ser titular, é peça importante nessa reconstrução defensiva — embora só possa estrear na Copa do Brasil caso o time avance de fase.
O calcanhar de Aquiles segue sendo o setor ofensivo. A falta de criatividade para definir jogadas, admitida pelo próprio Pedro Emanuel ao citar falta de serenidade nos últimos 20 metros e dentro da área, é evidente. Brenner, próximo de deixar o clube por empréstimo para a MLS, Spinelli e David seguem sem engrenar, e o técnico ainda não encontrou solução clara para o comando do ataque. Além disso, o calendário tripartido — Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana — limita o tempo de treino, obrigando Pedro Emanuel a focar no essencial e postergar ajustes mais profundos. A forma recente (cinco derrotas consecutivas, contando todas as competições) reflete a instabilidade de um time que, apesar da evolução defensiva, ainda não conseguiu transformar solidez em resultados concretos. E o desafio imediato é duplo: vencer o Fluminense na quarta-feira, fora de casa, para avançar na Copa do Brasil, e encadear triunfos no Brasileiro para sair da zona de risco.
A leitura do Expresso98 é de otimismo controlado. Em cinco jogos, Pedro Emanuel conseguiu algo inédito no ano — zerar o vazamento por duas partidas seguidas — e plantou sementes de um sistema defensivo mais sólido. O discurso interno é saudável, o vestiário responde, e a chegada de Santiago Sosa reforça a retaguarda. Mas o Vasco só subirá na tabela e avançará nas copas quando o ataque despertar. A defesa já fechou a porta; falta agora arrombar a do adversário. O caminho está no trilho certo, mas ainda é curto demais para afirmar que a virada de chave aconteceu. Pedro Emanuel tem 90 minutos na quarta-feira para provar que a evolução não se limita ao setor defensivo — e que o Cruz-Maltino pode, sim, encadear aquela sequência de vitórias que Jair citou e que a torcida vascaína tanto espera.
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