Desatenção e fragilidade aérea travam arrancada do Vasco no Brasileirão
Cruz-Maltino amarga quatro jogos sem vencer após início promissor com Renato Gaúcho. Metade dos 23 gols sofridos em 2026 vieram de jogadas aéreas, expondo calcanhar de aquiles defensivo que preocupa.

O momento era de euforia. Renato Gaúcho havia chegado, o Vasco respirava ares de reconstrução e os resultados começavam a aparecer. Mas o futebol cobra atenção aos detalhes, e o Cruz-Maltino vive agora seu primeiro baque sob comando do técnico gaúcho: quatro partidas sem vitória, sendo três empates e uma derrota — todas marcadas por um roteiro cruel que se repete.
Em três desses jogos, o Gigante da Colina abriu o placar. E em todos eles, a vantagem escorreu pelos dedos. O empate sofrido contra o Remo, no último sábado, foi mais um capítulo dessa novela amarga. Renato não escondeu a irritação após a partida.
"Dificilmente a gente tem tomado gols por méritos do adversário, são falhas nossas. Essas falhas têm que acabar, tem que ter mais atenção", desabafou o treinador, que já havia alertado sobre o problema após a derrota de virada para o Botafogo. Para ele, a desconcentração ao longo dos 90 minutos tem custado, no mínimo, seis pontos.
Mas há um dado ainda mais alarmante: dos 23 gols sofridos pelo Vasco em 2026, impressionantes 11 vieram de jogadas aéreas. Nove deles diretamente de cruzamentos, dois após cortes incompletos da defesa. O gol do Remo, com Marllon vencendo Saldivia pelo alto, escancarou essa fragilidade.
O problema não é novo. Ainda com Fernando Diniz, a equipe já patinava na marcação aérea. E agora, sob Renato, a questão persiste. O ídolo Mauro Galvão, capitão da Libertadores de 1998, analisou a situação com lucidez: "É uma questão coletiva. O time precisa resolver isso junto. Muitas vezes se coloca a responsabilidade apenas nos dois zagueiros, mas é o time todo."
Contra Botafogo, Coritiba e Remo, o Vasco saiu na frente nos três jogos. Sofreu quatro gols — três deles pelo alto. O diagnóstico está feito. Resta saber se a resposta virá a tempo de não comprometer uma temporada que começou tão promissora.
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