Ex-agente de DVD foi preso no apartamento do próprio Jogador em Vila Velha
Édson Vander da Silva Júnior foi detido em agosto de 2024 no imóvel de luxo do atacante em Vila Velha. Polícia investiga tentativa de homicídio ligada ao tráfico e conversas atribuídas a David viram prova.

O apartamento de luxo em Vila Velha, no Espírito Santo, era de David Corrêa — o DVD, atacante do Vasco. Quem a Polícia Civil capturou lá dentro, em agosto de 2024, foi Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos. Ele cuidava da carreira e das finanças do jogador. E, segundo as investigações, liderava o comando do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3.
A prisão aconteceu por envolvimento em uma tentativa de homicídio registrada em março daquele ano. O caso está dentro da Operação A Tropa, aberta em 31 de agosto para apurar uma organização criminosa interestadual com ligações ao tráfico de drogas e armas — e possíveis vínculos com facção.
As mensagens que a polícia encontrou no celular de Édson colocaram David no meio da investigação. Em uma das conversas obtidas pelos agentes, o atacante teria afirmado que a vítima da tentativa de homicídio "mereceu tomar uns tiros mesmo".
Em outra troca de mensagens, Édson enviou a foto de uma pistola de grosso calibre. A resposta atribuída a David veio por escrito: "Tem que matar um para ver de qual é".
A Polícia Civil do Espírito Santo aponta que o jogador é suspeito de financiar o tráfico de drogas na região. Para o Expresso98, a gravidade das acusações — que incluem não apenas envolvimento passivo mas suposto financiamento ao tráfico e possível participação em tentativa de homicídio — diferencia este caso de outros episódios policiais envolvendo atletas: o histórico aponta que David prestou depoimento, negou as acusações e foi liberado pelo delegado, mas a investigação segue em curso sem conclusão.
O crime investigado nasceu de uma disputa pelo controle do tráfico. Édson e Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos, teriam sequestrado um jovem em Serra Dourada 3 sob a suspeita de que ele vazou informações das atividades do tráfico para uma facção rival.
A vítima foi levada em um carro clonado e levou tiros nas costas. Sobreviveu ao simular que estava morta. Depois, passou a colaborar com a delegacia especializada na identificação dos envolvidos.
Edson atuava como empresário de DVD ao mesmo tempo em que, segundo a investigação, comandava a estrutura do tráfico. Ruan foi preso junto com ele, apontado como comparsa na tentativa de homicídio. A leitura do Expresso98 é que a proximidade entre a gestão da carreira do atleta e o suposto comando do tráfico cria uma zona de risco institucional para o clube: David está emprestado pelo Internacional desde janeiro de 2024, e o Vasco precisará acompanhar o desenrolar da investigação para definir os próximos passos em relação ao jogador.
A operação segue apurando a extensão da organização criminosa e os vínculos entre o tráfico interestadual e a rotina do atacante vascaíno. Para o Expresso98, o caso exige do clube postura de acompanhamento rigoroso e transparência: o atacante negou envolvimento, foi liberado e voltou aos treinos, mas a investigação em andamento impõe cautela até que as autoridades concluam o inquérito.
Com informações do Metrópoles Esporte, por Evellyn Paola.
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