Edital da venda da SAF é publicado: Vasco exige R$ 501 milhões só para entrar no leilão
A 4ª Vara Empresarial publicou o edital que oficializa a disputa judicial pela Nova SAF do Vasco. Qualquer interessado em desafiar a proposta da Almirante Participações terá de depositar R$ 501 milhões antes da audiência marcada para 25 de setembro.

O processo de venda da Nova SAF do Vasco ganhou contornos oficiais. A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro publicou o edital que estabelece as regras da alienação judicial da UPI Equity, estrutura criada no processo de recuperação judicial do clube e da SAF. A operação envolve a transferência de 90% do capital social de uma nova Sociedade Anônima do Futebol, que será criada a partir de uma cisão parcial da atual SAF.
A proposta vinculante da Almirante Participações e Empreendimentos, empresa ligada ao grupo de Marcos Lamacchia, é a referência mínima para o leilão. Quem quiser disputar terá cinco dias corridos, contados da publicação do edital, para manifestar interesse e apresentar a documentação exigida.
As garantias financeiras exigidas são pesadas. O interessado terá de depositar judicialmente R$ 150 milhões, apresentar garantia bancária de R$ 324 milhões e depositar mais R$ 27 milhões correspondentes a créditos concursais a vencer durante o período de supervisão judicial. Somados, são R$ 501 milhões antes mesmo de a proposta ser aberta. Para o Expresso98, essa barreira de entrada milionária funciona como filtro: afasta aventureiros, mas também pode limitar o número de concorrentes dispostos a desembolsar meio bilhão apenas para entrar na disputa, o que torna a proposta da Almirante ainda mais forte na prática.
Além disso, o vencedor se comprometerá a aportar R$ 500 milhões na Nova SAF entre 2026 e 2030, com previsão de R$ 100 milhões por ano corrigidos pelo INPC, investir R$ 120 milhões no centro de treinamento ao longo de dez anos e aplicar R$ 30 milhões nas categorias de base em dois anos. A proposta da Almirante também prevê a conversão em capital social do financiamento DIP concedido pelo Banco Crefisa à SAF Vasco, em valor líquido aproximado de R$ 80 milhões, com quitação integral da dívida caso Lamacchia seja o vencedor.
O edital determina que os R$ 500 milhões destinados à integralização das novas ações sejam usados exclusivamente na operação do departamento de futebol, não podendo ser direcionados ao pagamento de dívidas ou outras obrigações da Nova SAF perante as Recuperandas. A futura SAF também deverá assegurar auxílio financeiro ao clube associativo para o cumprimento das obrigações do Plano de Recuperação Judicial, incluindo pagamentos a credores, dívidas tributárias, previdenciárias e demais compromissos extraconcursais. Na leitura do Expresso98, esse desenho protege o futebol de ser sufocado pelo passivo, mas exige que o investidor banque dois caminhos paralelos: a operação esportiva com folga e o suporte ao associativo para honrar o plano de recuperação, o que demanda fôlego financeiro de longo prazo.
A audiência de abertura das propostas fechadas está marcada para 25 de setembro de 2026, às 14h, na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Caso apareça uma proposta concorrente considerada melhor, a Almirante terá três dias úteis para igualá-la. Se não exercer esse direito, o concorrente vencedor deverá pagar uma compensação de R$ 25 milhões ao grupo de Lamacchia.
O edital também prevê lock-up de dez anos: o vencedor não poderá vender sua participação societária nem distribuir dividendos da Nova SAF durante esse período.
Entre os ativos que serão transferidos para a Nova SAF estão direitos federativos, contratos com atletas e comissão técnica, contratos comerciais, patrocínios, propriedade intelectual e o direito de uso dos centros de treinamento. O edital também prevê a cessão do direito de uso de São Januário, com prioridade absoluta e exclusividade nos jogos de futebol profissional em que o Vasco atuar como mandante, até 31 de dezembro de 2030. O pagamento anual ao clube associativo pelo uso do estádio será de R$ 3 milhões, reduzido para R$ 2 milhões em caso de reforma que impeça a utilização. O que o Expresso98 enxerga nesse ponto é segurança institucional: São Januário, inaugurado em 1927 e palco de conquistas históricas como a Libertadores de 1998, permanece sob controle do associativo, garantindo ao clube social uma receita anual e ao investidor o uso prioritário sem riscos de perda do ativo mais simbólico do Vasco.
Paralelamente ao edital, a SAF publicou um modelo de Acordo de Confidencialidade (NDA) que será assinado pelos interessados em participar do leilão. O documento, datado de 11 de setembro de 2026, apresenta o Vasco como "Parte Reveladora", enquanto o campo destinado ao "Interessado" ou "Parte Receptora" permanece em aberto.
O NDA prevê que a Parte Receptora terá acesso a informações confidenciais sobre as condições de investimento na nova UPI Equity, incluindo dados financeiros, jurídicos e comerciais. O documento considera como representantes do interessado subsidiárias, afiliadas, sócios, conselheiros, diretores, empregados, prestadores de serviços e consultores, incluindo advogados, contadores e consultores financeiros.
A Parte Receptora deverá manter sigilo sobre as informações recebidas e não poderá divulgá-las, reproduzi-las ou fornecê-las a terceiros sem autorização prévia e expressa do Vasco. O documento determina ainda sigilo sobre a própria existência do acordo e estabelece que as informações sejam mantidas em local seguro e com acesso restrito.
O NDA estabelece multa de R$ 200 mil em caso de divulgação não autorizada. A penalidade não impede a cobrança de eventuais perdas e danos comprovadamente causados, nem a adoção de outras medidas judiciais pelo Vasco.
A assinatura do acordo não obriga o Vasco a revelar todas as suas informações. O documento estabelece que a SAF poderá fornecer apenas aquilo que considerar necessário e deixar de disponibilizar informações consideradas dispensáveis. Todas as informações confidenciais permanecem propriedade da Parte Reveladora, e a pedido do Vasco, a Parte Receptora deverá destruir ou excluir imediatamente materiais que contenham, sejam baseados ou reflitam essas informações.
O NDA também estabelece regras relacionadas à LGPD. Incidentes de segurança, ataques hackers, invasões ou vulnerabilidades com potencial de exposição de dados deverão ser comunicados imediatamente, com preservação de registros, logs, metadados e outras evidências.
Caso a divulgação seja exigida por lei ou determinação judicial ou administrativa, a Parte Receptora deverá, quando permitido, comunicar o Vasco. Se a entrega for obrigatória, deverá revelar somente as informações legalmente exigidas e buscar tratamento confidencial para o conteúdo.
As obrigações previstas no acordo permanecerão em vigor por dois anos contados da última comunicação de informação confidencial encaminhada à Parte Receptora. O término desse prazo não elimina responsabilidades relacionadas a violações ocorridas anteriormente. O acordo será regido pelas leis brasileiras e estabelece a comarca do Rio de Janeiro como foro para eventuais controvérsias.
Na ausência de propostas válidas superiores, a proposta vinculante da Almirante será considerada vencedora, observadas todas as condições e garantias estabelecidas. O edital representa mais uma etapa formal do processo de venda da UPI Equity, mas a conclusão da operação ainda depende do cumprimento das condições suspensivas, da definição da proposta vencedora, da homologação judicial e dos atos societários necessários para o fechamento. A leitura aqui é que o processo avançou para a etapa mais concreta desde a homologação do plano de recuperação judicial, aprovado por 97,7% dos credores: o edital publicado traz regras claras, prazos definidos e condições que exigem capacidade financeira robusta, sinalizando que a venda caminha para desfecho em semanas, não meses, ainda que a barreira de R$ 501 milhões possa consolidar Lamacchia como favorito natural na disputa.
Com informações do NetVasco, que cita X Atenção Vascaínos.
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