Ex-vice jurídico do Vasco expõe impasse em negociação da SAF
Felipe Carregal confirma apoio à venda, mas revela dois pontos de resistência: ausência de cadeira do clube nos conselhos da futura SAF e falta de correção monetária nos R$ 500 milhões prometidos em cinco anos.

O ex-vice-presidente do departamento jurídico do Vasco, Felipe Carregal, confirmou que sempre foi favorável à venda da SAF do clube, mas revelou dois pontos técnicos que o colocaram em rota de colisão com a proposta do investidor Marcos Lamacchia.
Em manifestação enviada ao portal ge após declarações públicas de José Lamacchia — pai de Marcos e empresário responsável pelas tratativas —, Carregal detalhou as ponderações jurídicas que o levaram a ser afastado das negociações há alguns meses.
O primeiro impasse: o investidor recusava qualquer assento para o Vasco nos órgãos de governança da futura SAF. Carregal defendia representação institucional do clube, ainda que minoritária, tanto no Conselho de Administração quanto no Conselho Fiscal. Segundo o advogado, o acordo anterior com a 777 Partners garantia duas cadeiras ao Vasco no Conselho de Administração (contra cinco do investidor) e uma no Conselho Fiscal. A proposta de Lamacchia não previa nenhuma.
O segundo ponto de atrito: ausência de correção monetária nos aportes. A negociação prevê investimento de R$ 500 milhões diluídos em cinco anos — R$ 100 milhões anuais. Carregal alertou que, sem cláusula de atualização, o clube receberia valores defasados ao longo do período, prática que constava no contrato com a 777.
'Comecei a ser pressionado a mudar de opinião, sob a justificativa de que a discussão jurídica estaria "atrapalhando a venda". Não mudei meu entendimento e fui afastado das negociações há alguns meses', declarou Carregal, que confirmou ter estado no escritório de José Lamacchia com a ciência do presidente Pedrinho.
O ex-dirigente encerrou afirmando desconhecer se o MOU (memorando de entendimentos) já foi assinado ou não.
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