Exonerados divulgam nota e acusam Pedrinho de desviar foco
Quatro dirigentes afastados pelo presidente após decisão judicial que suspendeu a cúpula da SAF divulgaram nota de esclarecimento nesta terça-feira. Eles afirmam que apenas cumpriram dever estatutário e cobram transparência.

A crise institucional do Vasco ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 24 de junho de 2026. Horas depois de serem exonerados pelo presidente Pedrinho, quatro dirigentes do clube divulgaram uma nota pública na qual rechaçam a responsabilidade pelo afastamento judicial da cúpula da SAF e acusam o mandatário de tentar desviar o foco dos problemas que motivaram a intervenção da Justiça.
Silvio Almeida, Felipe Carregal Sztajnbok, Claudio Gomes e Raphael Pulga assinam o documento. Nele, reconstroem a cronologia dos acontecimentos e deixam claro: não foram eles que provocaram a decisão judicial — ela veio de fora, motivada por uma petição da 777 Partners, que se baseou em grande parte no parecer elaborado pelo Conselho Fiscal da SAF e divulgado publicamente quando da apresentação do balanço.
Segundo o texto, a decisão da 4ª Vara Empresarial que afastou Pedrinho e os integrantes do Conselho de Administração da SAF no dia 23 de junho foi proferida a partir de pedido formulado por terceiros, estranhos à política interna do clube, com fundamento em fatos e documentos já submetidos ao Poder Judiciário. Em outras palavras: o gatilho judicial veio de fora, e não de uma articulação política interna.
Mesmo assim, a primeira reação do presidente foi exonerar os quatro dirigentes. A medida, afirmam eles, representa uma clara tentativa de desviar o foco do que efetivamente importa: o esclarecimento dos fatos destacados na decisão judicial. Fatos esses, ressaltam, que já vinham sendo objeto de questionamentos e cobranças internas — ou seja, a preocupação com a transparência não nasceu da decisão judicial, mas a antecedeu.
A nota traz ainda um esclarecimento importante sobre a postura dos exonerados em relação à operação que envolve a SAF. Os quatro dirigentes afirmam que nunca se manifestaram contrariamente. Muito ao contrário, dizem. O problema, segundo eles, foi outro: há alguns meses, foram completamente afastados do processo, juntamente com a G5 Partners, assessoria financeira que estava contratada justamente para auxiliar nas tratativas.
O afastamento, na visão deles, simboliza a ruptura de um ambiente de diálogo e transparência. E é justamente por isso que, na reta final da nota, reconhecem: não há mais espaço para permanecerem na administração do clube. A frase que dá título ao comunicado sintetiza o tom da despedida: como vascaínos que desejam o melhor para a instituição, reconhecem que o ambiente está rompido.
Mas a saída não vem sem cobrança. Os quatro dirigentes esperam que o presidente e os integrantes do Conselho de Administração da SAF prestem todos os esclarecimentos necessários acerca dos fatos destacados pelo Juízo. A expectativa é que essas explicações tranquilizem sócios, torcedores, investidores e demais interessados, restaurando com a maior brevidade possível a normalidade institucional e a credibilidade das instituições envolvidas.
A nota foi divulgada por meio de redes sociais e rapidamente repercutiu entre a torcida vascaína. O documento expõe as fissuras internas de uma gestão que, em poucos dias, viu sua cúpula ser afastada judicialmente, parte de seus quadros ser exonerada e a governança da SAF colocada sob questionamento público.
Enquanto o Vasco aguarda os próximos desdobramentos judiciais e administrativos, a nota dos exonerados funciona como um registro: eles afirmam terem cumprido seus deveres estatutários, exigido transparência e, agora, reconhecem que não há mais clima político para seguirem. O que resta é a cobrança por esclarecimentos — e a espera, sempre difícil, pela restauração da ordem institucional.
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