Filhos de Geovani exaltam humildade e fé do Pequeno Príncipe

No velório em Vila Velha, Geovani Filho, Andrey e Gabriel lembraram as lições deixadas pelo ídolo vascaíno: a simplicidade de quem brilhou em campo e se manteve gigante como ser humano fora dele.

geovani silva vasco

A cena no velório do Pequeno Príncipe resumia, em abraços apertados e olhos marejados, o tamanho do legado que Geovani Silva deixou. Nesta terça-feira (19), em Vila Velha, enquanto ex-jogadores, amigos e uma legião de fãs desfilavam diante do caixão para a despedida final, três vozes se destacaram pela emoção e pela lucidez: Geovani Filho, Andrey e Gabriel, os três filhos do craque, abriram o coração para falar do pai que o futebol idolatrou — e que eles conheceram como homem.

O ídolo de Vasco da Gama e Desportiva Ferroviária, que morreu na madrugada de segunda-feira (18) aos 62 anos, foi sepultado após dias de homenagens vindas de todos os cantos. Mas, para os filhos, o que ficará marcado não são apenas os dribles desconcertantes ou os gols antológicos. É o lado humano de Geovani, a simplicidade de quem carregava o apelido de realeza mas se comportava como um de nós.

'O que mais marcou foi o ser humano que ele era', resumiu Geovani Filho, visivelmente emocionado. Para ele, a dor da perda é proporcional à grandeza do pai — não a grandeza dos gramados, mas aquela que se constrói no dia a dia, na convivência, no exemplo silencioso. 'Ele nos ensinou a ser gente antes de qualquer coisa', completou.

Gabriel, o caçula, trouxe à tona outra dimensão do Pequeno Príncipe: a fé inabalável. 'Meu pai sempre teve Deus no centro de tudo. Nos momentos mais difíceis, era a fé que o sustentava — e ele fazia questão de passar isso para a gente', relembrou. Geovani enfrentava problemas de saúde desde 2006, uma luta longa e silenciosa que só reforçou, aos olhos da família, a resiliência e a força interior do craque. 'Ele descansou. Finalmente está em paz', disse Gabriel, entre lágrimas e alívio.

Andrey, por sua vez, destacou a humildade que acompanhou o pai até o último dia. Querido por torcedores no Rio de Janeiro e em Vitória, Geovani nunca se deixou envaidecer pelo carinho público. Pelo contrário: segundo o filho, o ídolo chegava a sentir vergonha diante de tanto afeto. 'Ele ficava sem jeito quando a galera parava ele na rua, pedia foto, abraço. Parecia que não acreditava que era tão amado assim', contou Andrey, arrancando sorrisos emocionados de quem ouvia.

Essa combinação — talento nos pés, fé no peito, humildade na alma — desenha o retrato de um homem que transcendeu a camisa 10. Geovani Silva brilhou como poucos no futebol brasileiro, mas, para quem o conheceu de perto, o brilho maior estava fora das quatro linhas. E é justamente esse legado, feito de lições cotidianas e exemplos concretos, que Geovani Filho, Andrey e Gabriel carregarão para sempre.

O Pequeno Príncipe se foi. Mas a lição de que grandeza verdadeira não cabe em troféus nem em manchetes — cabe no jeito de tratar o próximo, na fé que sustenta, na humildade que honra — essa lição segue viva. E seguirá ecoando, de geração em geração, na memória vascaína e capixaba.

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Publicado em 21 de maio de 2026

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