Fla-Flu detona decisão sobre Maracanã, chama juiz de teratológico e promete recorrer contra Vasco

O consórcio Fla-Flu Serviços, que administra o Maracanã, publicou nota oficial criticando duramente a decisão judicial que autorizou o Vasco a mandar a partida contra o Boca Juniors no estádio em 20 de outubro, pela Conmebol Sudamericana. A concessionária, formada por Flamengo e Fluminense, classificou a medida como "teratológica e juridicamente insustentável" e anunciou que adotará todas as medidas processuais cabíveis para reverter a decisão.
Segundo a nota publicada no perfil oficial do Maracanã no X (@maracana), a decisão proferida pelo Desembargador Marco Antonio Ibrahim rompe com o entendimento até então adotado pelo Poder Judiciário e é frontalmente divergente de seis decisões judiciais anteriores, todas favoráveis à posição do consórcio. A Fla-Flu Serviços questionou ainda o fato de a decisão ter sido tomada durante as férias do relator natural do processo, o Desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, que havia indeferido a tutela de urgência pedida pelo Vasco apenas três dias antes.
A nota afirma que não houve qualquer fato novo capaz de justificar a reversão do entendimento adotado pelo relator natural. O texto critica especialmente a afirmação do Desembargador Marco Antonio Ibrahim de que o histórico entre Vasco e concessionária "parece evidenciar uma 'questão pessoal'". A Fla-Flu Serviços classificou a declaração como "extremamente grave" e afirmou que não há nos autos qualquer prova de desavença pessoal.
O consórcio apresentou argumentos técnicos para justificar a recusa inicial. Segundo a nota, as negativas foram amparadas por sucessivos pareceres técnicos sobre as condições do gramado e as necessidades de preservação do campo de jogo. Entre os dias 11 e 22 de outubro, o Maracanã receberá cinco partidas: Flamengo x Fluminense em 11 de outubro, Fluminense x Palmeiras em 14 de outubro, Fluminense x Santos em 18 de outubro, Vasco x Boca Juniors em 20 de outubro e Flamengo x Estudiantes em 22 de outubro. Serão três jogos em apenas cinco dias no período mais crítico.
A decisão judicial, segundo a Fla-Flu Serviços, reduz drasticamente as janelas disponíveis para os procedimentos técnicos de recuperação e manutenção do gramado e transfere à concessionária os riscos e as consequências operacionais de uma escolha que contraria os pareceres técnicos apresentados no processo. O consórcio afirmou que possui o dever contratual de administrar, preservar e manter um dos mais importantes equipamentos públicos esportivos do país.
Apesar das críticas, a concessionária declarou respeito ao Poder Judiciário e confiança de que os órgãos competentes do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro "restabelecerão a coerência dos pronunciamentos anteriormente proferidos e corrigirão o grave equívoco jurídico verificado".
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