Fla-Flu inventa El Niño e NFL pra travar Vasco x Boca e empurrar clube pra Justiça de novo

O Consórcio Maracanã, liderado por Flamengo e Fluminense, negou o pedido do Vasco para mandar a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no estádio, em 20 de outubro. É a terceira vez somente em 2026 que o clube cruz-maltino tenta utilizar o Maracanã e recebe uma resposta negativa — os pedidos anteriores foram para os jogos contra Vitória e Palmeiras pela Copa do Brasil.
Segundo ofício do consórcio enviado ao Vasco no dia 25 de setembro, ao qual o Blog do Diogo Dantas teve acesso, a concessionária colocou as condições do gramado no centro da decisão e citou até o fenômeno climático El Niño como um dos fatores que agravaram a situação em 2026. De acordo com o documento, julho e agosto deste ano tiveram temperaturas 2,4°C e 2,1°C acima, respectivamente, das registradas nos mesmos meses de 2025, o que teria prejudicado o crescimento do Ryegrass, utilizado no inverno, enquanto as temperaturas ainda não teriam sido suficientes para estimular o crescimento da Bermuda Celebration, que serve de base para o gramado.
O jogo da NFL de futebol americano realizado no último domingo também foi usado como justificativa. "Mesmo com a adoção de toda a cautela que se entendeu pertinente – e acertada – na condução da programação de uso do 'Maracanã', também veio a público a preocupação manifestada pela NFL com o estado do gramado em razão do jogo realizado no próximo dia 27.9.26.", diz o ofício. A concessionária também apontou o aumento das chuvas: agosto de 2026 teve 208% mais chuva do que o mesmo mês de 2025, e no bimestre julho/agosto o aumento teria sido de 54%. Outro argumento foi a quantidade de partidas — o Maracanã recebeu 58 jogos em 2026, contra 31 no San Siro, em Milão, usado por Milan e Inter.
O problema central para o consórcio seria a sequência de jogos programada. Já estão marcados Fluminense x Santos, em 18 de outubro, e Flamengo x Estudiantes, em 22 de outubro. Com Vasco x Boca no dia 20, seriam três partidas em cinco dias. Considerando ainda Flamengo x Atlético-MG, no dia 25, o estádio teria quatro jogos em uma semana. A FLA-FLU afirma que isso impediria a realização de trabalhos de manutenção, como corte helicoidal, adubação localizada, iluminação suplementar e reparos no gramado. O consórcio classificou a negativa como de caráter "estritamente técnico, operacional e pontual" e apontou o Nilton Santos como alternativa no Rio de Janeiro.
O Vasco avalia entrar na Justiça novamente, mas a decisão provoca incômodo na diretoria. O presidente Pedrinho entende que o clube possui um acordo que permite a utilização do Maracanã e considera que as recusas impedem o cumprimento desse direito. Internamente, Pedrinho já afirmou a pessoas próximas que não considera razoável precisar recorrer à Justiça para exercer algo que, na interpretação do Vasco, está previsto em um acordo existente.
Por isso, uma corrente dentro do clube defende concentrar os esforços em conseguir autorização da Conmebol para jogar em São Januário. O problema é que a entidade sul-americana exige capacidade mínima de 30 mil espectadores para os estádios utilizados nas semifinais da Copa Sul-Americana, e São Januário atualmente não alcança esse número. Pedrinho tenta convencer a Conmebol a abrir uma exceção: "Vou tentar aumentar o espaço de visitante em São Januário. Tenho uma boa relação com o Riquelme. Vamos tentar dar todo o suporte para o torcedor do Boca em São Januário", afirmou o presidente, em referência a Juan Román Riquelme, presidente do Boca Juniors.
Pelo regulamento, o estádio precisa estar definido dez dias antes da partida, e a Conmebol aguarda uma resposta no início de outubro. Antes da discussão sobre o estádio da volta, Vasco e Boca Juniors abrirão a semifinal no dia 13 de outubro, na Bombonera, em Buenos Aires. O vencedor avançará à final da Copa Sul-Americana. Na outra semifinal, Atlético-MG e Montevideo City Torque disputam a segunda vaga na decisão.
Com informações do NetVasco, que cita Blog do Diogo Dantas - O Globo.
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