Flamengo detona Lamacchia, exige bloqueio da Placar e bota a Anresf contra a parede na venda da SAF do Vasco
O Flamengo publicou nota oficial nesta sexta-feira e não esconde mais: quer que a Anresf trave tudo — inclusive a empresa de aviação do grupo de Lamacchia. O rival invoca Fair Play Financeiro e chama a operação de 'risco sistêmico'.

O Flamengo divulgou nesta sexta-feira posicionamento oficial sobre a investigação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) na possível compra da SAF do Vasco por grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia. A nota, publicada no site do clube rubro-negro, classifica a investigação como 'relevante' e cobra medidas cautelares durante a análise — incluindo empresas controladas pelo mesmo grupo econômico, como a Placar Linhas Aéreas.
A Anresf abriu procedimento formal para avaliar eventual conflito de interesses na operação. O Flamengo afirma que a medida 'reforça preocupação' que vem manifestando e está prevista no Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF), em vigor desde janeiro de 2026: a necessidade de assegurar a independência dos clubes, a integridade das competições e a aplicação das regras de Fair Play Financeiro.
Segundo o rival, o tema 'não se restringe aos clubes envolvidos, devendo ser compreendido por todos'. A nota segue: 'A possibilidade de influência, controle ou dependência econômica entre participantes de uma mesma competição gera severa assimetria competitiva, deprime o valor de mercado de ativos em recuperação, distorce a disputa esportiva em curso e cria precedente de risco sistêmico para a integridade das competições e para o mercado de SAFs no país'. Para o Expresso98, o argumento do Flamengo mira exatamente o ponto mais delicado da operação: Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras até dezembro de 2027, e seu pai, José Roberto Lamacchia, marido de Leila e fundador da Crefisa, figura como avalista do negócio. A Crefisa, por sua vez, emprestou R$ 80 milhões ao Vasco no ano passado e atua como garantidora no acordo de investimento — o que fecha o ciclo de dependência econômica citado pelo rival.
O Flamengo cobra que as medidas cautelares 'alcancem todas as partes relacionadas aos envolvidos na operação, incluindo empresas controladas direta ou indiretamente pelos mesmos grupos econômicos, como a Placar Linhas Aéreas'. A companhia aérea pertence ao grupo de Lamacchia e já foi apontada em investigações anteriores como possível ponto de conflito. A leitura do Expresso98 é que o pedido de extensão das medidas cautelares à Placar aumenta a pressão sobre a Anresf: o Flamengo quer travar não apenas a compra da SAF, mas também qualquer operação comercial que envolva empresas do grupo enquanto durar a análise. A Anresf já impôs medidas cautelares proibindo o Vasco de manter relações comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar, conglomerado de Leila que inclui a Crefisa, durante o procedimento.
Ao final, o clube rubro-negro diz confiar 'na atuação serena, equilibrada e independente da Anresf' e classifica o caso como 'importante teste para o novo sistema regulatório do futebol brasileiro e para a construção de um ambiente de maior governança, equilíbrio competitivo e segurança institucional'.
A nota não cita diretamente o Vasco, mas deixa claro que o Flamengo acompanha cada etapa da investigação e espera que a Anresf atue com rigor. Na avaliação do Expresso98, o timing do posicionamento não é casual: a 4ª Vara Empresarial determinou a publicação de edital para dar publicidade à alienação da UPI Equity, que concentra o controle acionário da SAF, e eventuais interessados têm até 4 de setembro para apresentar propostas no processo de concorrência — um prazo que coincide com o fim da janela de transferências. O Flamengo, ao pressionar por travamento de todas as frentes da operação, reduz a margem de manobra do Vasco num momento em que o clube projetou recursos em caixa somente até 31 de agosto e depende da entrada de novos valores para manter os pagamentos de salários, credores e outras obrigações previstas no plano de recuperação judicial. A operação envolvendo Lamacchia segue sob análise do órgão regulador, que já travou movimentos anteriores do clube cruzmaltino no mercado enquanto investiga a regularidade da venda.
Com informações do NetVasco, que cita Site oficial do Flamengo.
Comentários
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!