G5 e dissidentes da Sempre Vasco travam disputa interna na SAF
Negociação com Lamacchia expõe racha na chapa de Pedrinho. De um lado, um núcleo de cinco dirigentes centraliza decisões; do outro, membros da própria Sempre Vasco cobram transparência e acusam concentração de poder.

A sala estava tensa naquela reunião da Sempre Vasco. Silvio de Almeida, então vice-presidente de Finanças, acabara de descobrir que seria chamado para prestar esclarecimentos ao comitê que investigava a venda da SAF à 777 Partners — e ninguém o avisara antes. Os ânimos se exaltaram. O encontro terminou em tom ríspido. Para o chamado G5, aquele momento marcou o início da ruptura interna que hoje ameaça paralisar a venda da SAF ao grupo de Marcos Lamacchia.
A Sempre Vasco, chapa que elegeu Pedrinho, vive hoje uma divisão aberta. De um lado, o G5: Pedrinho, Felipe, Alan Belaciano, Christiano Campos e Marcelo Macedo (Tangerina). Do outro, dissidentes que acusam o núcleo de concentrar decisões sem diálogo amplo com o restante do grupo.
Os críticos listam tomadas de decisão unilaterais, esvaziamento do setor jurídico, interferências em áreas estratégicas e centralização das discussões sobre a SAF. Segundo essa ala, a crise não nasceu de um episódio isolado, mas foi construída ao longo de meses.
Nos bastidores, circula relato sobre um grupo de WhatsApp batizado "Estratégia Futebol", formado pelos cinco membros do G5, além do CEO Carlos Amodeo e do diretor executivo Admar Lopes. Para críticos, o canal ampliou a ingerência política no futebol. Internamente, há quem aposte que o ciclo de Amodeo e Admar no Vasco está próximo do fim.
A negociação com Lamacchia virou campo de batalha. O G5 acusa os dissidentes de retardar a operação com exigências sucessivas e novas cláusulas. Os dissidentes rebatam: dizem buscar apenas proteger o clube de riscos futuros.
Enquanto isso, o investidor deixou claro o que espera: autonomia total para gerir a SAF, livre de interferências políticas. A palavra de ordem que ecoa é "acreditar no investidor, e não no contrato". O Vasco tenta preservar salvaguardas mínimas. Nos bastidores, a avaliação é de que a força está com Lamacchia — mas a assinatura segue travada pela guerra interna.
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