Há 68 anos, Bellini, Vavá e Orlando conquistavam para o Brasil sua primeira Copa do Mundo

No dia 29 de junho de 1958, três craques vascaínos ajudaram a escrever a página mais gloriosa do futebol brasileiro: Bellini, capitão e autor do gesto histórico; Vavá, artilheiro decisivo; e Orlando, muralha defensiva. A Suécia caiu por 5 a 2, e o Vasco teve papel fundamental na conquista do primeiro título mundial canarinho.

Bellini taça Jules Rimet 1958

'Foi o primeiro brasileiro a tocar a Taça Jules Rimet e o primeiro jogador de futebol a levantar a taça de campeão acima da cabeça com as duas mãos, imortalizando o gesto que acabou transformado numa estátua que fica à frente de uma das entradas do Maracanã.' A frase descreve Hideraldo Luiz Bellini, capitão da Seleção Brasileira e símbolo maior da conquista da Copa do Mundo de 1958 — a primeira do Brasil, obtida em solo sueco contra os próprios donos da casa por 5 a 2, no dia 29 de junho daquele ano, há exatos 68 anos.

Bellini não estava sozinho naquela tarde histórica em Estocolmo. Ao seu lado, dois companheiros de Club de Regatas Vasco da Gama ajudaram a escrever a página mais gloriosa do futebol brasileiro: Edwaldo Izidio Netto, o Vavá, e Orlando Peçanha de Carvalho. Juntos, os três cruzmaltinos formaram a espinha dorsal da equipe que consagrou o Brasil como potência mundial do futebol.

Vavá, apelidado de 'Leão da Copa' e 'Peito de Aço' pela coragem demonstrada nos gramados suecos, foi o grande artilheiro vascaíno da campanha. Em quatro jogos disputados, marcou cinco gols — todos decisivos. Contra a União Soviética, fez os dois tentos que classificaram o Brasil às quartas de final. Na semifinal diante da França, abriu o placar que se tornaria goleada brasileira. E na decisão contra a Suécia, protagonizou a virada histórica: com dois gols — ambos em cruzamentos de Garrincha —, transformou o 1 a 0 sueco em 2 a 1 para o Brasil ainda no primeiro tempo. Terminou o Mundial como quarto artilheiro da competição, atrás apenas de Fontaine (França, 13 gols), Rahn (Alemanha Ocidental, 6) e Pelé (6).

Ao lado de Bellini na defesa, Orlando Peçanha de Carvalho, então com apenas 22 anos, formou a dupla de zaga menos vazada da Copa do Mundo: apenas 4 gols sofridos em seis partidas. Orlando participou de todos os jogos da campanha, sendo dúvida apenas para a final devido a dores na virilha — incômodo que não o impediu de entrar em campo no Estádio Rasunda.

Bellini, zagueiro de 28 anos, foi capitão em todas as seis partidas da Seleção na Suécia. Nascido em Itapira (SP), tornou-se imortal ao erguer a Taça Jules Rimet acima da cabeça com as duas mãos, atendendo a um pedido dos fotógrafos que buscavam melhor ângulo para focalizar o troféu. O gesto, inédito até então, transformou-se em símbolo universal da vitória no futebol e rendeu ao vascaíno uma estátua em frente ao Maracanã.

A trajetória rumo ao título começou com vitória por 3 a 0 sobre a Áustria, seguida de empate sem gols com a Inglaterra — o primeiro 0 a 0 da história das Copas. Na terceira rodada, o Brasil derrotou a URSS por 2 a 0, com os dois gols de Vavá, garantindo a classificação às quartas de final. Pelé, então com 17 anos, estreou justamente nessa partida. Nas quartas, vitória mínima sobre o País de Gales por 1 a 0, gol de Pelé. Na semifinal, goleada de 5 a 2 sobre a França — Vavá abriu o placar, Pelé marcou três. E na final, nova goleada por 5 a 2, desta vez sobre a Suécia: Vavá (2), Pelé (2) e Zagallo completaram o placar histórico.

O Club de Regatas Vasco da Gama teve, portanto, papel fundamental na conquista do primeiro título mundial do Brasil. Bellini, Vavá e Orlando não apenas vestiram a camisa canarinho — carregaram nas costas, ao lado de Pelé, Garrincha, Didi e companhia, o peso de uma nação que, pela primeira vez, ergueu a taça de campeã do mundo. E, ao fazê-lo, consolidaram para sempre o nome cruzmaltino na história maior do futebol brasileiro.

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Publicado em 29 de junho de 2026

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