Hugo Moura rasga o verbo: 'Fui vaiado, xingado, aplaudido — minha passagem no Vasco foi marcante'

Em entrevista exclusiva, o volante de 28 anos abriu o jogo sobre os dois anos de cruz-maltino: detalhou a relação com Renato Gaúcho, defendeu o ambiente interno e revelou por que hesitou antes de aceitar a Arábia Saudita.

Hugo Moura Vasco

'A minha passagem no Vasco foi marcante na minha vida, por ter recebido críticas, elogios, já fui vaiado, xingado, aplaudido, já gritaram meu nome em São Januário, já fiz gol em clássico... Vejo a minha trajetória no Vasco como muito positiva.' A declaração é de Hugo Moura, volante de 28 anos que deixou o clube em julho para assinar com o Al-Fayha, da Arábia Saudita, até 2028.

Em entrevista exclusiva ao 365Scores, Hugo rescindiu o contrato que tinha com o Vasco até o fim do ano e se transferiu como jogador livre. Agora no futebol saudita, o volante abriu o jogo sobre a passagem de pouco mais de dois anos no cruzmaltino — foram 120 jogos disputados, gol em clássico e uma relação intensa com a torcida.

'Eu cheguei no Vasco, já sabia como que era, então fui porque queria conhecer de perto o Vasco. A pressão no Brasil é em qualquer clube', afirmou Hugo, que admitiu ter vivido todos os extremos possíveis de um jogador de futebol. 'Eu saí com 120 jogos, não me machuquei em nenhum jogo, não me escondi de nenhum jogo, independente do momento que eu estava passando. Claro, errei, todo mundo erra.'

O volante fez questão de contextualizar o peso da torcida vascaína e a necessidade de compreender o clube antes de vestir a camisa. 'E quem for para o Vasco vai ter que saber como é o clube, entender como é a torcida, saber a carência do torcedor, e eu fui sabendo de tudo isso. Sou muito grato ao Vasco por esses anos que passei. Foi um momento de felicidade vestir a camisa do Vasco, e estou na torcida para que eles possam fazer um grande final de temporada, porque a torcida merece.'

**Pressão da torcida e os bastidores do vestiário**

Questionado sobre o impacto da pressão negativa da torcida no desempenho dos jogadores, Hugo foi direto: a crítica atrapalha, mas o grau varia de atleta para atleta. 'Creio que atrapalha, depende do jogador, tem uns que conseguem absorver melhor, tem outros que se afundam e não conseguem mostrar o seu futebol. Às vezes, fica um pouco retraído de pegar na bola porque vai ser vaiado ou xingado. Particularmente, creio que isso afeta um pouco.'

O volante ressaltou que há casos em que o jogador enfrenta problemas pessoais fora de campo, mas a exposição pública não permite explicações. 'Muitas das vezes as pessoas ou jornalistas não sabem o que a pessoa está se passando. A gente tem uma prova que é o Puma, que está passando uma dificuldade com o pai. Às vezes, a pessoa está com um problema familiar e não tem que ficar indo na internet falar, mas tem que ter a cabeça boa e buscar confiança.'

Ainda assim, Hugo fez questão de elogiar o apoio da torcida em São Januário. 'No Vasco, a torcida apoia muito. Em São Januário, a gente está tentando fazer o gol, a torcida está empurrando e aí consegue a vitória. Muitas das vezes a gente não sabe de onde veio, mas é o apoio deles. É uma torcida muito apaixonada pelo clube. Eu não levo mágoa nenhuma da torcida, só tenho que agradecer, porque me fez evoluir como jogador e como pessoa.'

**Renato Gaúcho: ambiente leve, mas sem resultados**

O último técnico de Hugo Moura no Vasco foi Renato Gaúcho, demitido em meados de junho. Durante o período no clube, Renato ficou marcado pelas críticas à qualidade do elenco cruzmaltino em coletivas de imprensa. Hugo, porém, contestou parte do que foi dito publicamente sobre o ambiente interno.

'Muitas das coisas que se fala aí fora não é verdade. Perguntar para mim o motivo do Renato ter saído? Eu não sei, mas até onde eu sei, os jogadores gostavam do Renato. É um ambiente leve, legal de se trabalhar, só que o futebol precisa de resultado', iniciou o volante.

'No final da passagem dele, não estávamos conseguindo resultados que a gente merecia e buscava, mas tenho uma gratidão enorme por ele. Eu gosto muito do Renato, peguei ele no Flamengo e no Vasco, que ele possa ter uma carreira ainda brilhante, do jeito que ele já teve, porque ele é um vencedor como jogador e muito vencedor como treinador', concluiu.

**Arábia Saudita: receio da experiência frustrada na Suíça**

A transferência para o Al-Fayha não foi imediata. Hugo revelou que hesitou antes de aceitar a proposta saudita por conta de uma experiência mal-sucedida no exterior: o empréstimo ao Lugano, da Suíça, que durou menos de um mês em 2021. Na época, com a demissão de Abel Braga do time suíço, Hugo retornou ao Brasil sem sequer entrar em campo.

'Quando eu recebi a proposta do Al-Fayha, ficou um pouco de dúvida do que eu passei no Lugano. O mesmo cenário, treinador brasileiro... Então, me deu um pouco de desconfiança, receio de sair de perto da minha família, da minha filha, que está com dois meses', disse Hugo ao 365Scores.

O que convenceu o volante foi a presença de Fábio Carille no comando técnico do Al-Fayha. 'Ele me ligou, quando eu estava no Vasco, e me falou do projeto do clube. Claro, pesou muito o Carille ser o treinador. Eu já trabalhei com ele, então a negociação ficou ainda mais fácil. E quando eu cheguei aqui, era tudo do jeito que ele me falou. Ele também está me ajudando dentro de campo, todos os clubes que eu peguei ele, me senti bem jogando, me passa confiança no que tenho que fazer.'

Carille já tem bastante tempo na Arábia Saudita e, segundo Hugo, está dando todo o suporte necessário ao volante, que chegou sozinho ao país.

**Expectativa para o Campeonato Saudita**

Hugo Moura fará sua estreia pelo Al-Fayha no Campeonato Saudita e já projeta a dificuldade da competição. 'A gente sabe que tem uns quatro, cinco, clubes que o governo injeta muito dinheiro. Então, sabemos como é difícil jogar contra esses times. No Brasil, também tem três, dois, clubes que são difíceis de encarar. Vai perder todo jogo? Não sei. Vai ganhar? Não sei. Cada jogo é uma trajetória. A preparação da pré-temporada foi muito boa. Creio que a gente possa fazer um grande campeonato para brigar na parte de cima da tabela.'

Entre os desafios, está o duelo direto contra Cristiano Ronaldo. 'A gente fala em Arábia Saudita, mas se você parar para analisar, tem o Cristiano Ronaldo, melhor do mundo várias vezes, o Benzema, o Bento, vários outros jogadores de Europa. É um campeonato legal de se jogar, um campeonato bem visto. Vai ser uma marcação difícil, mas creio que, se Deus quiser, a gente possa levar a melhor, sabendo da dificuldade e como que é o Cristiano Ronaldo.'

**Gratidão ao Flamengo e futuro no futebol**

Formado nas categorias de base do Flamengo, Hugo viveu o ano de 2019 no elenco profissional rubro-negro — temporada marcada pelas conquistas da Libertadores e do Brasileirão. 'Tenho uma gratidão enorme pelo Flamengo. Vivi 13, 14, anos no clube que abriu as portas para mim. Eu tenho uma paixão enorme pelo Flamengo, minha família tem uma paixão enorme pelo Flamengo. Foi um ano muito especial. O Flamengo não vivia aquilo há muitos anos, e foi o meu primeiro ano de profissional e consegui viver tudo de perto. Poder estar naquele elenco vitorioso, de verdadeiros craques que o Flamengo conseguiu montar, é uma coisa que vou levar para minha vida inteira. Não tem como apagar e sou muito grato ao Flamengo.'

O volante também revelou que ficou próximo de acertar com o Grêmio em 2023, quando defendia o Athletico-PR. 'Fiquei muito perto de fechar com o Grêmio. Por detalhezinhos de clube para clube, não consegui. É um sonho, sim, jogar no Grêmio, é um clube muito grande. Pena que não consegui conquistar.'

Com informações do NetVasco, que cita X 365Scores Brasil.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 13 de agosto de 2026

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