Interventora judicial assume aprovação de reforços no Vasco
Com afastamento de Pedrinho e do Conselho de Administração, negociações por jogadores passam pela gestora Samantha Mendes Longo. Decisão judicial mantém clube ativo no mercado, mas muda fluxo de aprovação das operações.

Na última quarta-feira, a advogada Samantha Mendes Longo assinou o termo de compromisso para atuar como interventora judicial da Vasco SAF. A partir de agora, todas as contratações de atletas precisam passar pela aprovação da gestora judicial — mudança que altera o fluxo decisório do clube na janela de transferências.
A decisão que determinou a intervenção judicial na empresa, proferida pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, esclarece que a medida "não impedirá negociações de contratações em curso ou futuras". O Vasco, portanto, continua autorizado a buscar reforços para a sequência da temporada. A principal diferença está no processo de aprovação: antes centralizadas no Conselho de Administração e no presidente Pedrinho, as operações agora dependem do aval de Samantha Longo.
Nos primeiros dias após a nomeação, os executivos Admar Lopes e Fred Luz apresentaram à interventora a necessidade de reforçar o elenco. A urgência em sair da zona de rebaixamento pesa nas conversas, e os valores das operações estão sendo debatidos com a gestora judicial.
O clube tem negociações em andamento com o volante Deossa e chegou a avançar em um acordo com o Real Betis, da Espanha. A operação ainda não foi concretizada, e há conversas entre os executivos do Vasco e Samantha para a definição do aspecto financeiro. A proposta é no modelo de empréstimo com opção de compra fixada, que poderia se transformar em obrigação de compra a partir de metas estipuladas no contrato. O valor fixo gira em torno de 8 milhões de euros, mas há gatilhos que aumentariam a quantia para cerca de 10 a 11 milhões de euros.
Apesar da continuidade permitida no mercado, entende-se que o Vasco perdeu velocidade nas buscas por reforços com a saída de Pedrinho do quadro da SAF e a turbulência política instaurada.
O tema das contratações, inclusive, aparece entre os fundamentos da decisão judicial. A juíza reproduz apontamentos do Conselho Fiscal segundo os quais o órgão não recebeu informações completas sobre operações realizadas pelo departamento de futebol, incluindo valores de aquisição, pagamento de comissões, remunerações, luvas e prazos contratuais. O parecer também manifesta preocupação com os cerca de R$ 100 milhões gastos em reforços, levantando dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados e a compatibilidade dessas despesas com a situação de recuperação judicial da companhia.
Apesar das críticas, a Justiça reconhece que a contratação de atletas é uma atividade legítima para o fortalecimento esportivo da equipe: "É salutar esclarecer, nesta decisão, que a contratação de atletas integra a esfera de discricionaridade da administração da VASCO SAF e constitui instrumento legítimo para o fortalecimento do desempenho esportivo do time".
O Vasco planeja entrar com um agravo de instrumento nos próximos dias para reverter a decisão da Justiça. Enquanto isso, o clube segue em busca de reforços para a segunda janela. Justamente pelos fortes investimentos no primeiro semestre, a diretoria trabalhava com orçamento restrito para a próxima janela de transferências. Não estava descartado, inclusive, um novo pedido de empréstimo na modalidade DIP para empresas em recuperação judicial.
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