Juíza se declara suspeita e abandona caso da intervenção no Vasco
Caroline Rossy Brandão Fonseca alegou 'fatos supervenientes' não detalhados para se afastar do processo que afastou Pedrinho. Decisão ocorreu horas após receber advogados do clube e da 777 no fórum.

O que teria levado uma magistrada a abandonar, de forma abrupta, um dos processos mais sensíveis da história recente do Vasco da Gama?
A juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, declarou-se suspeita para conduzir o processo de intervenção judicial na SAF vascaína em decisão proferida na noite desta quinta-feira. A magistrada alegou ter tomado conhecimento de "fatos supervenientes" às 20h14, motivo pelo qual determinou seu imediato afastamento do caso.
Os fatos que motivaram a declaração de suspeição não foram detalhados na decisão. Segundo a própria juíza, as informações já foram comunicadas às instâncias superiores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas permanecem sob sigilo. Caroline Rossy invocou o artigo 145, parágrafo primeiro, do Código de Processo Civil — dispositivo que permite ao magistrado declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de revelar as razões do afastamento.
A declaração de suspeição ocorreu após a magistrada receber, no fórum, os novos advogados do Vasco e o advogado do investidor da 777 Carioca. Os representantes do clube cruzmaltino solicitaram a reconsideração da decisão que afastou o presidente Pedrinho e outros integrantes da gestão vascaína. Caroline Rossy havia registrado que, antes de analisar o pedido, pretendia ouvir o Ministério Público, a administração judicial e a 777.
"Não obstante, após finalizar o atendimento presencial aos advogados presentes no Fórum, às 20h14 da presente data, sobrevieram ao conhecimento desta Magistrada fatos supervenientes, que já foram devidamente comunicados às Instâncias/Órgãos Funcionais Superiores deste Tribunal de Justiça", escreveu a juíza na decisão.
Com o afastamento, o processo foi remetido à 6ª Vara Empresarial. Apesar da declaração de suspeição, Caroline Rossy nomeou, em caráter provisório, a administradora judicial Adriana Campos Conrado Zamponi para exercer as atribuições da intervenção em conjunto com o conselheiro Alexandre Cordeiro Macedo — ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica — até que o novo juízo assuma a condução do caso.
A intervenção judicial foi determinada em decisão de 23 de junho, quando a magistrada afastou o presidente do Vasco, Pedrinho, e outros dois integrantes do Conselho de Administração da SAF vascaína. Na mesma decisão, a advogada Samantha Longo foi nomeada como interventora judicial do clube, mas renunciou ao cargo dias depois por questões relacionadas à segurança pessoal.
O caso agora segue para um novo juízo, enquanto a torcida cruzmaltina aguarda desdobramentos sobre a gestão da SAF e o futuro institucional do clube.
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