Juíza trava R$ 150 mi, acusa investidor de 'disfarçar' venda direta de UPI e paralisa mercado do Vasco

A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, manteve nesta sexta-feira a decisão que trava o empréstimo de R$ 150 milhões do Vasco e limita qualquer movimentação financeira do clube a R$ 5,9 milhões. Na nova decisão, a magistrada também fez um alerta contundente sobre o processo de venda da SAF: segundo ela, o endividamento crescente com o mesmo grupo empresarial que apresentou proposta vinculante para adquirir a Vasco SAF pode criar vantagem relevante para o atual investidor e dificultar uma disputa efetivamente competitiva pela SAF — o que poderia resultar, por via indireta, em algo semelhante a uma venda direta.
Segundo publicação do perfil Podcast Cruzmaltino (@PodCruzmaltino) no X, a magistrada destacou que os recursos já obtidos e os novos valores pretendidos vêm do mesmo grupo empresarial que apresentou proposta vinculante. Um eventual concorrente entraria no processo já encontrando uma dívida de aproximadamente R$ 270 milhões com o stalking horse. A decisão faz uma distinção importante: venda direta é admitida dentro de uma recuperação judicial, desde que observados os requisitos e a concordância necessária; já a venda por UPI possui proteção legal específica, permitindo que o comprador adquira os ativos sem sucessão de determinadas dívidas trabalhistas, tributárias e cíveis. A juíza foi enfática ao afirmar que uma venda direta não pode ser "disfarçada" de UPI apenas para alcançar essa blindagem jurídica. Para o Expresso98, a sinalização da magistrada lança uma camada delicada sobre o processo: se a Justiça enxerga risco de que o endividamento com o próprio proponente estreite artificialmente o espaço para concorrência, a operação — já complexa — ganha mais um nó a ser desatado antes de qualquer desfecho, e isso reforça a insegurança de que o caminho até a venda seja mais longo e instável do que o clube pode aguentar.
O ge.globo informou que a restrição de R$ 5,9 milhões foi mantida porque a magistrada afirmou que continua sendo necessário um relatório sumário da auditoria antes de autorizar novos endividamentos acima do limite estabelecido. A juíza determinou que a Administração Judicial, o watchdog e o gatekeeper prestem esclarecimentos sobre pontos levantados no processo. O prazo para apresentação do relatório sumário foi fixado em 15 dias.
A trava tem reflexos diretos no mercado: a direção vascaína não pode se comprometer a nenhuma proposta acima de US$ 1,137 milhão ou 974 mil euros. A negociação com Bruno Duarte, atacante do Estrela Vermelha, já teve impacto neste sentido. O Vasco fez oferta de 1,5 milhão de euros, o clube sérvio não se opôs, o atleta deu sinal verde, mas a diretoria não pode seguir em frente porque as cifras estão acima do teto estabelecido pela Justiça. Por ora, as conversas estão paradas. Há negociações avançadas com um meio-campista, mas a transação só poderá partir para trâmites finais quando o clube tiver liberação de ir além dos R$ 5,9 milhões de verba. Na avaliação do Expresso98, o teto imposto — inferior a 1 milhão de euros — reduz drasticamente a capacidade de negociação do Vasco num mercado em que reforços minimamente competitivos têm custado múltiplos desse valor, especialmente quando o time está na 19ª colocação do Brasileirão com 22 pontos em 22 jogos. A janela fecha em 2 de setembro, e cada dia sem definição jurídica é um dia a menos para o departamento de futebol buscar alternativas concretas.
Segundo o CEO Fred Luz, em entrevista ao ge, a partir do próximo dia 20 de agosto, sem esses recursos, o Vasco vai enfrentar uma situação extremamente delicada de caixa. Isso pode resultar no não pagamento de compromissos com atletas, agentes, clubes, tributos e dívidas sujeitas à recuperação judicial, o que pode acarretar em multas, desenquadramento no sistema de sustentabilidade financeira da CBF, na não consolidação da nova transação tributária e transfer ban. A leitura do Expresso98 é que a declaração de Fred Luz expõe o prazo extremamente curto — o dia 20 fica a menos de uma semana — para a Justiça liberar os recursos ou para o clube desenhar um plano B que evite inadimplências estruturais, num momento em que o time joga contra o Palmeiras fora de casa no próximo sábado e qualquer desestabilização de elenco ou bastidor pode se refletir em desempenho dentro das quatro linhas, agravando ainda mais a briga contra o rebaixamento.
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