Justiça afasta Pedrinho da SAF e nomeia interventora
Decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro atendeu pedido da 777 Carioca e afastou presidente e dois conselheiros do comando da SAF do Vasco. Samantha Longo assume como interventora por 60 dias para restabelecer governança.

A decisão judicial que afastou Pedrinho do comando da SAF do Vasco teve como fundamento um dado objetivo: o parecer do Conselho Fiscal da SAF, datado de 30 de abril de 2026, identificou falhas graves de governança corporativa, deficiência de controles internos e limitações ao exercício da atividade fiscalizatória.
A juíza Caroline Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, atendeu ao pedido formulado pela 777 Carioca e determinou o afastamento de Pedrinho, presidente do clube, além dos conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias do Conselho de Administração da SAF vascaína. A advogada Samantha Longo, ex-diretora jurídica da CBF, foi nomeada interventora.
Segundo o documento judicial, a interventora terá prazo de 60 dias para adotar as providências necessárias ao restabelecimento da regularidade dos processos de governança, da transparência, da prestação de contas e da circulação de informações entre os órgãos sociais da companhia. Relatórios quinzenais deverão ser apresentados ao juízo para supervisão.
A fundamentação da decisão menciona diretamente o episódio envolvendo Jean David. A magistrada realizou busca na internet e constatou denúncia grave do atacante, feita em 30 de janeiro de 2026, sobre exigência de pagamento de comissão a terceiros sob ameaça de não participação.
O chileno, que deixou o Vasco no fim de 2025, afirmou que sua transferência do Toluca em agosto de 2024 foi marcada por irregularidades. 'Dois meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, essa pessoa que me levou até lá entrou em contato comigo e disse: "Ei, sabe de uma coisa? Agora você tem que pagar uma comissão." Eu disse: "Comissão por quê? Que história é essa? Como funciona?"', relatou Jean David.
O atacante também afirmou que outros jogadores do Vasco viveram situação semelhante. 'Outros jogadores do Vasco me disseram a mesma coisa: eles foram ameaçados de que, se não pagassem a comissão, não jogariam. Talvez seja por isso que o Vasco lute contra o rebaixamento há tanto tempo', declarou.
Em contato com o ge, o clube negou qualquer irregularidade e revelou ter aberto uma investigação sobre o caso.
O parecer do Conselho Fiscal da SAF sobre as demonstrações financeiras de 2025 também apontou ausência de aprovação formal de atos societários relevantes e informou sobre práticas coercitivas na contratação de atletas, elementos que pesaram na fundamentação judicial.
A informação foi publicada primeiramente pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pelo ge.
A intervenção judicial representa um capítulo delicado na gestão da SAF vascaína, que agora terá 60 dias sob comando de interventora externa para tentar reestabelecer os padrões de governança corporativa exigidos pela legislação societária brasileira.
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