Justiça afasta Pedrinho da SAF; interventora assume por 60 dias
Decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio atendeu pedido da 777 Carioca e apontou falhas de governança. Advogada Samantha Longo assume gestão enquanto negociação com Lamacchia segue, mas com nova condição.

A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro afastou nesta terça-feira o presidente Pedrinho e outros dois integrantes do Conselho de Administração da Vasco SAF. A decisão atende pedido da 777 Carioca LLC e se baseia em apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal da empresa.
A juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca nomeou a advogada Samantha Longo como interventora pelos próximos 60 dias. Ela passa a ser responsável pela administração da SAF enquanto ocorre a reorganização da estrutura de governança. Pedrinho perde temporariamente o controle da empresa que gere o futebol vascaíno.
A medida aumenta a instabilidade institucional justamente quando o clube negocia a venda do controle da SAF e busca recursos para reforçar o elenco. Dentro de campo, a equipe ocupa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
A decisão tem origem em questionamentos levantados pelo Conselho Fiscal durante análise das demonstrações financeiras de 2025. Segundo o documento citado pela magistrada, foram identificadas falhas consideradas graves na governança corporativa da empresa.
Entre os pontos mencionados aparecem problemas nos controles internos, limitações à fiscalização, falta de transparência e ausência de aprovação formal de atos societários relevantes. Na avaliação da juíza, os elementos apresentados justificavam intervenção cautelar para preservar a administração da companhia.
Um dos pontos que chamou atenção foi a inclusão das denúncias feitas pelo atacante chileno Jean David. O jogador, que deixou o Vasco no fim de 2025, afirmou que sofreu pressão para pagar comissões relacionadas à sua transferência. A juíza menciona o caso como elemento que reforçou a necessidade de aprofundar a fiscalização. O Vasco negou irregularidades e informou que abriu procedimentos internos de apuração.
Com o afastamento de Pedrinho, Christiano Stockler Campos e Felipe Elias, a gestão passa para Samantha Longo. A advogada possui experiência na área esportiva e empresarial e já atuou como diretora jurídica da CBF. Segundo a decisão judicial, ela terá a missão de reorganizar os processos internos da companhia e deverá apresentar relatórios periódicos à Justiça a cada quinze dias.
Entre as atribuições estão o fortalecimento dos mecanismos de governança, a ampliação da transparência e a melhoria dos processos de prestação de contas.
Apesar do impacto da decisão, a negociação para venda da SAF não foi bloqueada. Nos últimos meses, o Vasco avançou nas conversas com o empresário Marcos Lamacchia, que negocia a aquisição de 90% dos ativos do futebol. A expectativa interna era formalizar um Memorando de Entendimento ainda nas próximas semanas.
Entretanto, a decisão judicial acrescenta nova exigência ao processo. Mesmo com os direitos políticos e patrimoniais suspensos em decisões anteriores, a 777 Carioca continua sendo formalmente acionista da Vasco SAF. Por isso, a Justiça destacou que qualquer operação de venda dependerá da concordância da empresa ou de autorização específica dos órgãos competentes.
Em um dos trechos mais importantes da decisão, a magistrada registrou: qualquer alienação depende da anuência da peticionante. Na prática, isso significa que o Vasco não possui liberdade total para concluir a venda sem considerar os interesses da antiga controladora.
A própria Justiça reconheceu que a interventora poderá auxiliar uma eventual venda da SAF durante seu período de atuação. Os próximos meses serão decisivos não apenas para o futuro do futebol vascaíno, mas também para definir quem comandará o projeto de reconstrução do clube. A chegada de uma interventora judicial cria um cenário inédito na história recente do Vasco e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da gestão.
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