Justiça alerta que R$ 40 mi são para manter operação, não reforços

Justiça alerta que R$ 40 mi são para manter operação, não reforços

A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro proferiu nesta sexta-feira (7) um novo despacho na Recuperação Judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da Vasco SAF, revelando que a situação de liquidez das recuperandas é classificada como "alarmante". Em publicação no X, o perfil Podcast Cruzmaltino (@PodCruzmaltino) informou que o documento traz detalhes sobre a necessidade do financiamento DIP de R$ 40 milhões e mudanças na fiscalização sobre as informações financeiras.

O ponto mais relevante do despacho está na destinação dos recursos. Segundo o pedido apresentado à Justiça pelo Vasco e pela Vasco SAF, o financiamento DIP não está associado à expansão das atividades do clube ou à realização de novos investimentos esportivos. O próprio pedido deixa expresso que o objetivo principal desses R$ 40 milhões não é reforçar o elenco, mas preservar a operação existente e cumprir compromissos essenciais.

A projeção financeira para 2026 aponta insuficiência significativa de caixa para fazer frente às obrigações operacionais, financeiras e decorrentes da própria reestruturação. A preocupação aumenta no curtíssimo prazo: a projeção diária de caixa até 31 de agosto de 2026 apontaria rápida deterioração da disponibilidade financeira e risco concreto de falta de recursos para cumprir obrigações concentradas nas próximas semanas.

Entre as destinações mencionadas no pedido estão salários e obrigações com atletas, profissionais do futebol, categorias de base, empregados, fornecedores estratégicos, prestadores de serviços, autoridades fiscais, obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial, transação fiscal e outros débitos necessários para manutenção da atividade empresarial e esportiva. Segundo o próprio Vasco, a ausência desses recursos poderia comprometer pagamentos a atletas, funcionários e fornecedores, criar novos passivos e até colocar em risco avanços obtidos durante a Recuperação Judicial.

O desembolso inicial previsto é de R$ 40 milhões, a ser realizado pela Almirante. O novo despacho não está autorizando agora o financiamento — o documento registra que a possibilidade de contratação do DIP e sua urgência já haviam sido acolhidas anteriormente em outra decisão judicial.

Em frente paralela, a Procuradoria de Justiça se manifestou nesta sexta-feira no recurso apresentado pelo Vasco contra a decisão que havia determinado o afastamento de membros do Conselho de Administração da Vasco SAF e a intervenção judicial na empresa. O parecer é favorável ao clube em pontos importantes. Segundo a Procuradoria, embora existam indicativos de irregularidades, não há provas ou indícios inequívocos de fraude, má-fé ou despesas injustificáveis que sustentem, neste momento, medidas tão extremas como o afastamento dos administradores e a intervenção na SAF.

O parecer também destaca o relatório produzido pela gestora nomeada judicialmente, Samantha Mendes Longo. Após diligências na Vasco SAF, ela concluiu que a companhia possui "estrutura de gestão adequada", executivos especializados e uma Diretoria funcionando regularmente. O Conselho de Administração estaria se reunindo com frequência superior à exigida pelo Estatuto. Sobre os cerca de R$ 100 milhões investidos em reforços, a Administração Judicial já havia entendido que esses gastos eram compatíveis com a realidade de clubes da Série A e tinham como objetivo manter a competitividade e buscar receitas futuras.

Diante disso, o Ministério Público opinou pelo provimento parcial do recurso do Vasco, entendendo que não há necessidade das medidas extremas anteriormente determinadas. Trata-se de um parecer da Procuradoria de Justiça, e não do julgamento definitivo do recurso pelo Tribunal.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 07 de agosto de 2026

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