Justiça autoriza novo empréstimo e determina abertura do leilão da SAF do Vasco
A 4ª Vara Empresarial autorizou nesta quinta-feira o empréstimo DIP de até R$ 150 milhões junto à Almirante, de Lamacchia, e determinou a abertura do processo competitivo para venda de 90% da SAF. Propostas fechadas serão apresentadas em 25 de setembro.

Nesta quinta-feira, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, autorizou a contratação de um novo financiamento DIP de até R$ 150 milhões para o Vasco e determinou a abertura do processo competitivo para a venda de 90% da nova SAF.
A decisão judicial deflagra o processo competitivo para alienação da UPI Equity, que representa 90% da SAF vascaína. As propostas serão apresentadas de forma fechada em audiência marcada para 25 de setembro, às 14h. Para o Expresso98, a abertura do leilão acelera o projeto de reestruturação definitiva do futebol vascaíno, colocando o clube, enfim, diante de um calendário concreto para escolher o parceiro que comandará a SAF pelos próximos anos — e a data-limite da audiência, daqui a dez dias, impede que o processo se arraste indefinidamente.
O financiamento será contratado junto à Almirante Participações e Empreendimentos S.A., ligada a Marcos Faria Lamacchia, que apresentou a proposta considerada mais vantajosa no processo de busca por investidores. A liberação dos recursos não ocorrerá automaticamente em sua totalidade: os desembolsos deverão corresponder às necessidades efetivas de liquidez da Vasco SAF, com acompanhamento e fiscalização da evolução do caixa. A leitura do Expresso98 é que a autorização do novo DIP alivia a pressão sobre o orçamento imediato e reduz o risco de paralisação das operações enquanto o leilão transcorre, permitindo que o clube negocie reforços e honre compromissos sem depender exclusivamente de receitas operacionais em um momento em que o time ocupa a 17ª posição do Brasileirão, com 25 pontos em 25 jogos.
O parecer do Ministério Público foi apresentado nesta quinta-feira no processo de recuperação judicial. O promotor Gustavo Lunz ratificou os termos da manifestação conjunta dos três auxiliares do juízo e afirmou não se opor à homologação da contratação nos termos da proposta apresentada pelas recuperandas.
A Administração Judicial, o Watchdog e o Gatekeeper já haviam se manifestado favoravelmente à contratação do novo financiamento e ao prosseguimento do processo competitivo. Na análise, os auxiliares apontaram necessidade concreta de recomposição da liquidez da Vasco SAF e consideraram a proposta da Almirante a mais adequada entre as alternativas avaliadas.
O financiamento poderá chegar a R$ 150 milhões, mas o valor não será necessariamente desembolsado de uma só vez. A recomendação dos auxiliares do juízo é que os recursos sejam liberados de acordo com as necessidades efetivas de caixa, com acompanhamento e fiscalização da utilização do dinheiro.
A proposta-base de Lamacchia prevê R$ 500 milhões em aportes destinados exclusivamente ao futebol, além de compromissos financeiros relacionados ao pagamento das obrigações da recuperação judicial e outras garantias. O histórico recente do clube sugere que esse volume de aportes, caso efetivado, representaria o maior investimento direto no departamento de futebol do Vasco desde o período pré-recuperação judicial, com potencial para elevar o patamar competitivo do elenco já a partir da próxima janela de transferências e reduzir o déficit que mantém o time próximo da zona de rebaixamento.
Os auxiliares do juízo entenderam que a operação pode prosseguir desde que sejam observadas condições e salvaguardas para proteger os credores e preservar a competitividade do processo. Entre as medidas sugeridas estão garantias bancárias, mecanismos de arras e manutenção das condições do DIP mesmo se um terceiro vencer o processo competitivo e a Almirante não exercer o direito de preferência para igualar a melhor proposta.
A Almirante também apresentou emenda à proposta vinculante incorporando salvaguardas adicionais sugeridas pelos auxiliares do juízo, incluindo garantias para cobertura do passivo, mecanismos de arras e reforços nas obrigações relacionadas ao fluxo financeiro da futura Nova SAF.
O processo competitivo ainda poderá receber propostas de outros interessados. A estrutura foi desenhada para permitir que a proposta-base seja submetida a um teste de mercado, com o objetivo de buscar a melhor condição econômica para a venda da UPI Equity. Para o Expresso98, o desenho do leilão preserva a chance de que grupos ainda não revelados publicamente apareçam nos próximos dez dias com ofertas superiores, ampliando a competição e potencialmente elevando o valor final da transação — o que, em última análise, beneficiaria tanto o pagamento de credores quanto a capacidade de investimento futuro no futebol.
Com informações do GE Vasco, por Bruno Murito.
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