Justiça dá cinco dias para SAF regularizar governança no caso 777
A 4ª Vara Empresarial do TJ-RJ determinou que a Vasco SAF corrija uma série de pendências corporativas em até cinco dias. A decisão também alterou para R$ 5,9 milhões o piso de comunicação prévia ao Judiciário sobre negociações de atletas.

A 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro proferiu nesta quinta-feira (6) um novo despacho no processo movido pela 777 Carioca contra a Vasco SAF. A decisão traz uma série de determinações que expõem fragilidades na governança corporativa da SAF cruzmaltina e estabelecem prazos curtos para regularização.
A magistrada concedeu cinco dias para que a Vasco SAF regularize questões estruturais: atualização da composição da Diretoria Executiva, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal no site oficial, publicação de atas dos órgãos de administração, registro de documentos pendentes na Junta Comercial e convocação de Assembleia Geral para deliberar sobre as demonstrações financeiras de 2024 e 2025. A assembleia também deverá tratar da eleição dos conselhos e da fixação da remuneração dos administradores.
O prazo apertado evidencia a urgência que o Judiciário imprime ao caso. A ausência de transparência em aspectos básicos de governança — como a publicação de atas e a atualização de órgãos administrativos — contrasta com a magnitude financeira da operação que trouxe a 777 Partners ao Vasco.
Outro ponto relevante da decisão é a retificação do valor mínimo para comunicação prévia ao Judiciário de negociações envolvendo atletas. A juíza reconheceu um erro material e fixou o novo patamar em R$ 5,9 milhões. A medida impõe um controle judicial sobre movimentações significativas no mercado da bola, reflexo direto da desconfiança institucional gerada pela disputa com a 777.
A decisão também determina que a 777 Carioca LLC, a Administração Judicial e o watchdog se manifestem sobre a petição apresentada pela Vasco SAF informando o cumprimento da decisão da segunda instância. Após essas manifestações, os autos seguirão para análise do Ministério Público, ampliando o escrutínio sobre a gestão da SAF.
No campo da auditoria independente, a ICTS Global terá 48 horas para apresentar proposta de honorários. Caso haja concordância das partes, da Administração Judicial, do watchdog e do Ministério Púlico, a Vasco SAF deverá depositar 50% do valor para início imediato dos trabalhos. A auditoria é peça central para esclarecer a real situação financeira e operacional da SAF, tema em permanente disputa entre as partes.
Os demais pedidos formulados pelo clube nos embargos de declaração não foram conhecidos pela magistrada por terem caráter modificativo.
O caso 777 segue como o principal entrave institucional do Vasco em 2026. Enquanto o time busca recuperação em campo — atualmente na 18ª posição do Brasileirão com 21 pontos em 20 jogos —, a disputa judicial exige atenção da direção e expõe lacunas de gestão que precisam ser corrigidas com urgência.
Com informações do NetVasco, que cita X Colina 1927.
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