Justiça destrava venda de 90% da SAF e Lamacchia tem preferência garantida

O Vasco obteve parecer positivo do watchdog judicial para a negociação de 90% da SAF. Athos Neves, nomeado pela Justiça para fiscalizar a gestão cruzmaltina, autorizou a operação nesta quarta-feira. O empresário Marcos Lamacchia, em tratativas avançadas com a diretoria, possui cláusulas de preferência para cobrir eventuais propostas concorrentes.

SAF Vasco Marcos Lamacchia negociação

Na tarde desta quarta-feira, o advogado Athos Neves assinou um documento que pode reconfigurar o futuro institucional do Vasco da Gama. Nomeado pela Justiça como watchdog — fiscal externo — da gestão cruzmaltina, ele emitiu parecer favorável à negociação de venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol.

O posicionamento de Athos representa o primeiro aval externo ao processo de alienação da SAF. O advogado atuou como interventor judicial durante o período em que o presidente Pedrinho esteve afastado do cargo por força de liminar, em julho deste ano. Posteriormente, foi indicado como watchdog em consenso entre o clube e os integrantes da Justiça, justamente por ser considerado um elemento neutro na disputa. Desde então, passou a ter acesso irrestrito a relatórios financeiros e operacionais da SAF, além de monitorar aspectos de governança corporativa. Para o Expresso98, o peso desse parecer vai além do protocolo: Athos Neves conhece em profundidade a realidade financeira do clube e sua aprovação sinaliza que a operação tem fundamento técnico, não apenas político.

No documento divulgado nos autos do processo de recuperação judicial, Athos não menciona nominalmente o empresário Marcos Lamacchia, mas a negociação com o investidor encontra-se em estágio bastante adiantado junto à diretoria comandada por Pedrinho.

"Realizadas as considerações expostas, este Profissional submete ao crivo deste Colendo Juízo, não se opondo aos requerimentos formulados pelas Recuperandas [Vasco], desde que sejam garantidos os critérios de publicidade, transparência, competitividade e maximização do valor do ativo", consta na conclusão do parecer.

A autorização do watchdog, contudo, não encerra a etapa de aprovações. O clube ainda depende de manifestações favoráveis de três instâncias adicionais: o administrador judicial — função exercida pelo escritório Gussem e Lemos Basto Advogados —, o Ministério Público e a magistrada responsável pelo processo de recuperação judicial. Somente após obter todos os sinais positivos, o Vasco estará juridicamente habilitado a abrir a concorrência pública para venda de 90% da SAF. A leitura aqui é que o watchdog, justamente por ser o ator com mais acesso à documentação interna, traçou o caminho: as demais instâncias costumam acompanhar manifestações dessa natureza quando há farta fundamentação técnica, e o parecer de Athos atende a esse critério.

A decisão desta quarta-feira foi recebida com celebração nos bastidores da diretoria vascaína. Internamente, o parecer de Athos Neves é visto como peça fundamental para destravar o processo e acelerar as etapas seguintes.

Quanto ao desenho da operação, a legislação vigente impede que o clube venda diretamente a participação a Marcos Lamacchia sem antes realizar procedimento competitivo. A negociação deverá ser colocada em disputa aberta, permitindo que outros interessados apresentem propostas. Lamacchia, no entanto, detém cláusulas de preferência que lhe asseguram o direito de igualar ou superar qualquer oferta que eventualmente chegue ao Vasco. Para o Expresso98, essa blindagem funciona como rede de proteção: o clube cumpre a exigência legal da concorrência, ganha a chance de atrair propostas ainda melhores e, ao mesmo tempo, não corre o risco de perder o investidor que já destinou R$ 500 milhões carimbados para o futebol, R$ 150 milhões para o CT e o perdão de R$ 80 milhões da dívida do empréstimo DIP — números que compõem a proposta de Lamacchia e constam nos bastidores recentes validados.

Essa blindagem contratual, aliada ao estágio avançado das tratativas, coloca o empresário como o candidato mais provável a assumir o controle da SAF cruzmaltina. A expectativa, agora, recai sobre o prazo em que as demais instâncias se manifestarão — e se manterão a linha adotada pelo watchdog. O Expresso98 enxerga nesse cenário a possibilidade real de o Vasco encerrar o processo competitivo até o fim de setembro, conforme cronograma previsto nos bastidores — prazo que, caso se confirme, permitiria ao novo controlador participar ainda da janela de janeiro com orçamento robusto e planejamento antecipado.

Com informações do GE Vasco, por Sergio Santana.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 13 de agosto de 2026

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