Justiça rasga liminar do Vasco pro Maracanã e briga com Fla-Flu estoura em laudo técnico e PM dividida

A Justiça do Rio de Janeiro negou nesta segunda-feira o pedido de tutela de urgência do Vasco para obrigar a Fla-Flu Serviços S.A. a disponibilizar o Maracanã para a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcada para 20 de outubro. A decisão foi proferida pela juíza Adriana Marques dos Santos Laia Franco, que entendeu não haver elementos suficientes para conceder a liminar neste momento.
O principal fundamento da negativa foi a divergência entre os laudos técnicos apresentados pelas partes sobre as condições e a recuperação do gramado do Maracanã. Enquanto o Vasco apresentou documentos técnicos sustentando que a realização da partida não comprometeria o campo, a concessionária alegou que o jogo provocaria um intervalo inferior às 72 horas recomendadas entre partidas e traria risco à preservação do gramado. Segundo a magistrada, essa controvérsia exige avaliação técnica especializada e não poderia ser resolvida em sede de liminar simplesmente escolhendo um dos laudos apresentados. A decisão menciona inclusive a possibilidade de prova pericial para analisar a questão.
Em publicação no X, o perfil Gustavo Tutinha (@gustavotutinha) informou que a juíza também considerou divergências nos pareceres da Polícia Militar. A magistrada destacou que a recomendação pelo Maracanã foi feita numa comparação entre Maracanã e São Januário, mas que existe outro documento da PM considerando viável a realização de Vasco x Boca no Nilton Santos. Esse ponto pesou na decisão de não conceder a liminar. Segundo a Gazeta Esportiva, o parecer anexado pela concessionária indicava a viabilidade do Estádio Nilton Santos, enquanto os documentos do Vasco comparavam apenas Maracanã e São Januário, sem avaliar outras possibilidades.
A juíza ressaltou que a negativa não representa rejeição definitiva da tese do Vasco. "Não se trata, portanto, de afirmar que o direito alegado seja inexistente, mas sim de reconhecer que, no atual estágio processual, não há elementos suficientemente seguros para afirmar sua probabilidade", afirmou na decisão. O clube ainda pode recorrer junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Paralelamente à disputa judicial pelo Maracanã, o Vasco continua trabalhando para viabilizar a partida em São Januário. O clube recebeu na última sexta-feira parecer positivo do Corpo de Bombeiros para aumentar a capacidade do estádio para 24 mil lugares, considerado um passo importante internamente. Antes disso, já tinha recebido parecer favorável de órgãos da Prefeitura. O número, porém, ainda está abaixo da exigência da Conmebol, que determina capacidade mínima de 30 mil lugares para jogos de semifinal de competições continentais. Para oficializar um pedido à Justiça visando utilizar São Januário, o clube ainda precisa da aprovação da Polícia Militar, que nos bastidores deu a entender preferir a realização da partida no Maracanã.
O Vasco precisa informar oficialmente à Conmebol o estádio da partida até 10 de outubro, prazo de dez dias antes do confronto. Caso a partida seja realizada fora da cidade do Rio de Janeiro, a entidade exige definição com 15 dias de antecedência — prazo que se encerraria nesta segunda-feira. A diretoria mantém São Januário como primeira opção e segue acompanhando os desdobramentos da disputa judicial para definir onde receberá o Boca Juniors na semifinal da Sul-Americana.
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