Justiça trava R$ 150 mi e limita Vasco a R$ 5,9 mi: negociação por Bruno Duarte empaca e meia avançado fica congelado

O Vasco chega à reta final da janela de transferências com o planejamento de reforços paralisado por decisão judicial. A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, manteve nesta sexta-feira a trava sobre um empréstimo de R$ 150 milhões e limitou o clube a movimentações financeiras de no máximo R$ 5,9 milhões até a apresentação de um relatório sumário de auditoria, previsto para 15 dias.
A restrição impede qualquer endividamento acima do teto estabelecido sem aprovação judicial prévia. Segundo o ge, isso travou a negociação por Bruno Duarte, atacante do Estrela Vermelha, da Sérvia. O Vasco fez oferta de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 9,8 milhões na cotação atual), o clube sérvio não se opôs e o jogador deu sinal verde, mas a diretoria não pode seguir em frente porque o valor ultrapassa o limite imposto pela Justiça. As conversas estão paradas. Para o Expresso98, o momento expõe um paradoxo: o clube identificou o reforço, chegou perto do acerto, mas é impedido de concluir justamente pela situação financeira que tentava amenizar com o empréstimo travado.
Bruno Duarte era prioridade para a posição de camisa 9, justamente por ser brasileiro — o que aliviaria o excesso de estrangeiros no elenco. Depois das contratações de Sosa e Colidio, o Vasco conta com dez jogadores estrangeiros, número que ultrapassa o limite de nove permitido pela CBF em cada lista de relacionados para as competições nacionais. Além da dupla argentina recém-chegada, o elenco tem os uruguaios Puma Rodríguez e Alan Saldivia, os colombianos Andrés Gómez, Carlos Cuesta, Johan Rojas e Marino Hinestroza, o português Nuno Moreira e o argentino Spinelli. Contra o Santos, Pedro Emanuel teve de deixar Saldivia fora da relação.
O departamento de futebol entregou uma lista final de jogadores para a reta final da janela a Admar Lopes e Felipe Loureiro, mas o clube não tem poder de fazer sondagens em valores interessantes para tirar os atletas de seus clubes atuais. Segundo o NetVasco, há negociações avançadas com um meio-campista, mas a transação só poderá partir para trâmites finais quando o clube tiver liberação de ir além dos R$ 5,9 milhões de verba. A leitura do Expresso98 é que o planejamento existe, mas está suspenso: a janela se fecha independentemente da situação judicial, e o risco é assistir ao prazo esgotar com os alvos mapeados, porém inalcançáveis.
Para a defesa, o Vasco também busca um jogador brasileiro. Diego Carlos era o plano A, mas a diretoria perdeu a concorrência do Parma nas negociações — as conversas do time italiano com o Fenerbahçe, clube ao qual o defensor pertence, avançaram nos últimos dias por um empréstimo. O Vasco chegou a realizar contatos com outros brasileiros que atuam no exterior, como Arthur Chaves (Hoffeinhem), Gabriel Pereira (Copenhagen) e Luiz Felipe (Rayo Vallecano), mas as conversas ainda não tiveram avanços significativos.
O CEO Fred Luz alertou, em entrevista ao ge, que a situação pode se agravar. "Pelas nossas projeções, a partir do próximo dia 20, sem esses recursos, vamos enfrentar uma situação extremamente delicada de caixa. Isso pode resultar no não pagamento de compromissos com atletas, agentes, clubes, tributos e dívidas sujeitas à recuperação judicial, o que pode acarretar em multas, desenquadramento no sistema de sustentabilidade financeira da CBF, na não consolidação da nova transação tributária, e transfer ban", afirmou. O Expresso98 enxerga nessa fala o retrato da urgência: a janela de transferências é o horizonte imediato, mas o problema pode se estender para além dela, atingindo a própria capacidade operacional do clube caso a liberação não saia a tempo.
A janela de transferências se encerra em poucos dias, e a prioridade por reforços brasileiros — motivada pelo limite de estrangeiros — esbarra agora na limitação financeira imposta pela Justiça.
Comentários
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!