Justiça trava R$ 150 milhões e empurra auditoria — Vasco corre risco de ficar sem caixa e sem reforços

A juíza Simone Gastesi Chevrand determinou que o Vasco não poderá contratar novo endividamento — incluindo o empréstimo DIP de até R$ 150 milhões — antes da realização de auditoria pela ICTS e apresentação de relatório sumário. A decisão acende alerta duplo: o clube afirmou no processo que os recursos em caixa podem se esgotar nesta quinta-feira, e a janela de transferências fecha em 11 de setembro, 24 dias após a publicação da decisão judicial.
A auditoria passa a ser condição obrigatória para qualquer novo financiamento. A juíza estabeleceu prazo de 15 dias para que a ICTS apresente pelo menos o relatório sumário, mas o processo pode levar até 30 dias em certos casos, segundo o ge.globo. Como qualquer movimento jurídico do Vasco precisa de aprovação de dois interventores, Ministério Público, gatekeeper e da própria magistrada, o dinheiro pode chegar apenas depois do período de contratações, inviabilizando reforços que a diretoria ainda busca no mercado.
Em publicação no X, o jornalista Gustavo Cunha (@gustavotutinha) detalhou os cinco pontos principais da decisão. A 777 Carioca LLC, autora da ação, foi designada responsável pelo custeio da auditoria — a juíza acolheu os Embargos de Declaração das Recuperandas e corrigiu decisão anterior. A ICTS precisa receber previamente 60% do valor proposto para iniciar os trabalhos, e eventuais discussões sobre honorários serão tratadas em incidente separado sem impedir o início da auditoria. A Justiça facultou ao Vasco SAF realizar o depósito dos 60% por conta própria caso queira acelerar o início da auditoria e, consequentemente, do prazo de 15 dias.
No pedido apresentado à Justiça, Vasco e Vasco SAF projetaram aproximadamente R$ 500 milhões em receitas contra R$ 800 milhões em despesas neste ano, com déficit previsto de R$ 300 milhões. O clube calcula necessidade de aproximadamente R$ 150 milhões em liquidez até 31 de outubro, podendo alcançar R$ 210 milhões até dezembro. O dinheiro do novo DIP Financing serviria para manter operações e pagar compromissos como salários, direitos de imagem, impostos, fornecedores e obrigações relacionadas à própria recuperação judicial.
A magistrada também determinou que o cartório verifique se o Vasco já apresentou prestação de contas do DIP anterior, de R$ 40 milhões, realizado em 20 de julho. Chevrand abriu espaço para que credores e órgãos responsáveis pela fiscalização da recuperação judicial se manifestem antes de decidir sobre o novo empréstimo — Administradora Judicial, Watchdog, Gatekeeper e Ministério Público estão entre as partes que deverão participar do processo. A Justiça também determinou sigilo sobre documentos relacionados à governança, com acesso restrito às partes e aos órgãos e agentes envolvidos no processo.
Paralelamente, a Justiça continua acompanhando o processo criado para buscar novo investidor para a SAF do Vasco. A proposta apresentada prevê a Almirante Capital como investidor de referência, com compromisso inicial de R$ 500 milhões e previsão de investimentos adicionais de até R$ 300 milhões por ano durante cinco anos. Chevrand decidiu aguardar manifestação do Gatekeeper antes de avançar nessa frente, e o órgão terá acesso aos documentos sigilosos necessários para avaliar a operação.
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