Lamacchia afirma acordo por SAF assinado e exige Pedrinho

José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e avalista da operação de R$ 2 bilhões do filho Marcos, declarou que o memorando de entendimento pela compra da SAF vascaína está firmado, mas condicionou o negócio à permanência de Pedrinho na presidência.

José Roberto Lamacchia Crefisa

José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, marido da presidente do Palmeiras Leila Pereira e pai de Marcos Lamacchia — empresário que negocia a compra da SAF do Vasco —, deu entrevista ao ge afirmando que o acordo pela aquisição do futebol cruzmaltino 'está assinado e valendo'. Segundo o empresário de 83 anos, trata-se de um memorando de entendimento que prevê investimento de R$ 2 bilhões, dos quais ele é avalista. Porém, a apuração do ge indica que ainda não existe acerto formal entre as partes e que há discussões finais sobre reinvestimento no futebol a partir de vendas de atletas.

O ponto central da declaração de Lamacchia é a exigência de que Pedrinho permaneça na presidência do clube. 'Nós só vamos ficar se o presidente for o Pedrinho', afirmou. 'Sem o Pedrinho na presidência, o meu filho não vai comprar o Vasco.' A fala ocorre no contexto do afastamento de Pedrinho do comando da SAF por decisão judicial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro — medida que Lamacchia classificou como 'a maior aberração que já vi na minha vida'.

Lamacchia atacou nominalmente os ex-vices Felipe Carregal e Paulo Salomão, acusando-os de 'só querer o mal do Vasco' e de nunca terem 'colocado um centavo' no clube. O empresário afirmou ter vídeos de câmeras de segurança de seu escritório mostrando que ambos participaram de reuniões sobre o memorando de entendimento ao longo dos últimos três anos. 'Eles foram lá fazer o quê? Tomar sorvete? Não, eles foram tratar desses assuntos e querendo benesses', declarou.

Sobre o conflito de interesses envolvendo Leila Pereira, presidente do Palmeiras, Lamacchia negou qualquer impedimento legal. 'Se você ler a lei, vê que não tem problema nenhum. Porque esse outro assunto de conflito de interesse, há três anos, se existia, existia há três anos. E não agora que eles estão falando', argumentou. O empresário rebateu declarações do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista: 'Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Vá tomar conta do seu clube e não enche o saco do clube dos outros.'

Lamacchia também mencionou que Leila Pereira 'comanda o Palmeiras com 200% dos seus esforços' e que ela poderia, no futuro, assumir algum cargo no Vasco após o término de seu mandato no rival paulista. 'Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras.'

O empresário garantiu que o filho não pretende vender o clube e que todos os lucros serão reinvestidos no futebol. 'Ele não vai tirar um centavo de dividendo. Tudo que o Vasco tiver de lucro, será reinvestido no próprio Vasco', afirmou. Quanto aos empréstimos da Crefisa, Lamacchia condicionou novos aportes à permanência de Pedrinho: 'Com esse pessoal lá, não vamos mais. Só com o Pedrinho nós fazemos isso.'

Procurado pelo ge, Felipe Carregal encaminhou texto afirmando que sempre foi favorável à venda e que suas ponderações jurídicas — como a necessidade de o clube ter representação no Conselho de Administração da SAF e de os aportes terem correção monetária — teriam gerado pressão para que mudasse de opinião. 'Comecei a ser pressionado a mudar de opinião, sob a justificativa de que a discussão jurídica estaria 'atrapalhando a venda'. Não mudei meu entendimento e fui afastado das negociações há alguns meses', declarou Carregal.

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Publicado em 25 de junho de 2026

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