Lamacchia detona a última trava e arrasta R$ 3,5 bi para a mesa — edital sai em dias
O grupo de Marcos Lamacchia fez as alterações solicitadas pela fiscalização da recuperação judicial e aguarda autorização do juízo para publicar o edital do processo competitivo. A operação prevê compromissos que podem superar R$ 3,5 bilhões.

O processo de venda da SAF do Vasco avançou na Justiça. O grupo liderado por Marcos Lamacchia realizou as alterações solicitadas pelos responsáveis pela fiscalização da recuperação judicial e aguarda a autorização do juízo para publicar o edital do processo competitivo.
Segundo André Sica, advogado do empresário, um aditivo com as mudanças já foi assinado e encaminhado novamente ao juízo. A expectativa é de que a Justiça autorize a abertura da disputa nos próximos dias. Para o Expresso98, a agilidade na correção dos pontos levantados pelos órgãos fiscalizadores demonstra organização e interesse real de Lamacchia em concluir a operação — o caminho parece desobstruído para a próxima etapa, que é a publicação do edital.
A operação prevê compromissos que podem superar R$ 3,5 bilhões, somando investimentos, pagamento de dívidas e cobertura de déficits futuros. De acordo com Sica, estão previstos R$ 500 milhões para futebol, R$ 150 milhões para o centro de treinamento e o perdão de R$ 80 milhões em empréstimos. Aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas concursais e extraconcursais estão contemplados.
O acordo também prevê a cobertura do déficit de caixa do clube durante cinco anos, estimado em R$ 300 milhões anuais — o que totalizaria R$ 1,5 bilhão no período. Isso não significa aporte imediato: parte corresponde a investimentos direcionados, outra ao pagamento ou perdão de dívidas e outra à cobertura de déficits futuros. A leitura do Expresso98 é que a estrutura financeira, embora complexa e diluída no tempo, endereça o principal gargalo vascaíno: a falta de liquidez crônica que impede reforços e planejamento de médio prazo, ainda que o risco de atrasos ou renegociações durante a execução permaneça.
O processo competitivo permitirá que terceiros apresentem propostas pela SAF. Caso nenhuma oferta concorrente supere a de Lamacchia, a proposta poderá ser declarada vencedora pelo juízo. A expectativa apresentada por Sica é concluir essa etapa até o final de setembro, mas o prazo não é definitivo.
Depois do processo competitivo, o negócio precisará passar pelas instâncias internas do Vasco, incluindo Conselho Deliberativo e Assembleia Geral. Também será necessário constituir a nova SAF antes da conclusão da transação. O que o Expresso98 enxerga é um cronograma apertado, mas factível: mesmo que setembro se estenda para outubro, a janela de fim de ano ainda permitiria movimentações no mercado e, mais importante, daria ao clube previsibilidade orçamentária para 2027 — algo ausente há anos.
Entre as modificações solicitadas pela fiscalização estão a redução do break-up fee — multa prevista para o Vasco caso Lamacchia não seja o vencedor — e complemento de garantia para eventual falha na comprovação da capacidade econômico-financeira.
Mesmo com a entrada de um sócio majoritário, a associação Vasco da Gama continuará participando da fiscalização da SAF. Sica confirmou que o clube terá um representante no Conselho de Administração. Na avaliação do Expresso98, manter voz na governança é fundamental: a SAF não pode virar caixa-preta, e a presença vascaína no Conselho de Administração garante que o projeto mantenha identidade e respeite a história da instituição.
"A operação do Vasco é a operação mais publicizada do Brasil, ou talvez uma das mais publicizadas entre todas as operações que já houve no país", afirmou o advogado, destacando a quantidade de órgãos e profissionais envolvidos na análise.
Com informações do Torcedores, por Douglas Nunes.
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