Lamacchia atua nos bastidores por Deossa enquanto Vasco aguarda sinal para investir

O empresário Marcos Lamacchia, mesmo sem ter assumido formalmente o controle da SAF do Vasco, passou a atuar diretamente nas negociações pela contratação do colombiano Nelson Deossa junto ao Real Betis. Segundo a Agência RTI Esporte, a participação de Lamacchia nos bastidores ajudou o clube a avançar nas tratativas relacionadas às garantias financeiras exigidas pelo clube espanhol para viabilizar o negócio.
A operação envolve uma obrigação de compra de 10 milhões de euros (R$ 58,3 milhões na cotação atual), mas o modelo de pagamento discutido entre as partes prevê que os desembolsos só começarão em 2027. Essa estrutura permite que o Vasco preserve o fluxo de caixa durante a atual temporada e distribua o investimento ao longo dos próximos anos, mantendo o equilíbrio financeiro sem abrir mão do reforço.
Nos bastidores, a avaliação é que a atuação de Lamacchia demonstra compromisso com o projeto esportivo do clube. O empresário acompanha de perto as necessidades do elenco e busca soluções financeiras que permitam ao Vasco competir no mercado sem comprometer o planejamento econômico da SAF. Apesar do avanço e do clima de confiança, a diretoria evita tratar a contratação de Deossa como concluída, reconhecendo que ainda existem etapas burocráticas a serem superadas.
Paralelamente, segundo o portal NewsColina, a postura da diretoria vascaína é de aguardar um sinal positivo das negociações com Marcos Lamacchia para realizar maiores investimentos. Com a janela de transferências se encerrando em setembro, o clube adota paciência neste momento, embora já tenha mapeado o mercado. A posição de zagueiro é apontada como a mais quente no momento para eventuais contratações.
Caso a operação por Deossa seja confirmada, o colombiano chegará como uma das principais aquisições do Vasco para a temporada e simbolizará o primeiro grande movimento de mercado com influência direta de Lamacchia, ainda antes de sua oficialização à frente da SAF.
## Análise Expresso98
O Vasco vive um momento paradoxal: enquanto a operação Deossa avança nos bastidores com a atuação direta de Marcos Lamacchia — ainda antes mesmo de sua oficialização à frente da SAF —, o clube segue literalmente travado na janela de transferências, à espera de um "sinal positivo" das negociações com o empresário para realizar outros investimentos. A postura é compreensível do ponto de vista de cautela financeira, mas preocupa quando se olha para o calendário: a janela se encerra em setembro, o time está na 17ª posição do Brasileirão com apenas 20 pontos em 19 jogos e saldo negativo de oito gols, e a margem de manobra diminui a cada rodada. O acionamento do Flamengo junto à ANRESF e a notificação prévia da própria agência reguladora criam uma camada extra de incerteza sobre todo o processo de transição, e enquanto isso o elenco segue com carências evidentes — a zagueira é apontada como prioridade, mas nada se move até que o quadro institucional se esclareça.
A favor do Vasco, pesa o fato de que Lamacchia tem demonstrado envolvimento operacional concreto: sua participação nas tratativas por Deossa resultou em avanço nas garantias financeiras exigidas pelo Betis, e o modelo de pagamento discutido — obrigação de compra de 10 milhões de euros com início dos desembolsos só em 2027 — preserva o fluxo de caixa da temporada atual e distribui o investimento ao longo dos próximos anos. É um sinal de que o empresário compreende as necessidades do futebol e busca soluções viáveis dentro do planejamento econômico da SAF. Caso Deossa seja confirmado, o Vasco terá sua principal aquisição da janela e um volante de nível técnico elevado, capaz de qualificar o meio-campo e dar fôlego a um elenco que venceu apenas uma das últimas cinco partidas. A proposta da Almirante, com R$ 500 milhões de investimento obrigatório e projeção de até R$ 150 milhões em economia via incentivos fiscais, também desenha um horizonte de médio prazo mais robusto, ainda que condicionado a todas as aprovações necessárias.
O que preocupa, porém, é a cadeia de incertezas que se sobrepõe. A diretoria evita dar Deossa como certo, reconhecendo etapas burocráticas pendentes, mas o maior risco não está no colombiano: está na indefinição institucional que trava todo o resto. O Vasco mapeou o mercado, identificou a zagueira como prioridade quente, mas não pode avançar até que Lamacchia sinalize luz verde — e esse sinal, por sua vez, depende da resolução das questões envolvendo a 777 Partners, da aprovação judicial, da auditoria, do rito interno do clube, do acerto com a A-CAP e, agora, da resposta à ANRESF sobre as regras antimulticlubes. A notificação da agência e o acionamento do Flamengo, ancorado na relação familiar de Marcos Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras e casada com José Lamacchia, avalista do negócio, jogam uma sombra real sobre a viabilidade da operação. Enquanto isso, o Brasileirão não espera: o Vasco está a apenas um ponto da zona de rebaixamento, vindo de quatro derrotas consecutivas antes da última vitória, e o calendário não perdoa hesitações. A janela se fecha em setembro, mas a situação do time pede reforços já — e o clube está de mãos atadas.
A leitura do Expresso98 é de apreensão realista. A atuação de Lamacchia nos bastidores por Deossa é positiva e demonstra compromisso, mas o Vasco está refém de um emaranhado de condicionantes jurídicas, regulatórias e financeiras que podem arrastar a janela inteira sem que nenhum outro movimento relevante seja feito. O clube adota "paciência", mas paciência não soma pontos na tabela. A 17ª posição, o saldo negativo e a sequência recente de resultados exigem urgência que a transição institucional não permite. Se Deossa vier e vier rápido, o Vasco ganha fôlego; se a indefinição com a ANRESF se arrastar ou se a compra da SAF encontrar novos obstáculos, o risco é real: o clube pode terminar a janela com o elenco desfalcado justamente quando mais
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