Lamacchia entra com R$ 5 mi e salva o Vasco do transfer ban — mas o buraco é de R$ 110 milhões
O Vasco efetuou nesta segunda-feira o pagamento da primeira parcela do plano coletivo aprovado pela CNRD, da CBF, e afastou o risco imediato de transfer ban. A diretoria contraiu empréstimo de cerca de R$ 5 milhões com a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia.

O Vasco efetuou nesta segunda-feira o pagamento da primeira parcela do plano coletivo aprovado pela CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), órgão da CBF. A diretoria contraiu empréstimo de cerca de R$ 5 milhões com a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, para fazer o pagamento e afastou o risco de transfer ban, sanção prevista na decisão da CNRD do início de agosto.
Para o Expresso98, o movimento reforça a disposição de Lamacchia em assumir compromissos urgentes do clube mesmo antes de concluir a compra da SAF — o empresário atua como fiador operacional em momento de aperto de caixa, e o gesto sugere alinhamento entre a gestão atual e o candidato a comprador. O pagamento dos R$ 5 milhões evita o bloqueio de novas contratações justamente quando a janela de transferências se aproxima do fim, preservando a margem de manobra do clube no mercado caso os R$ 150 milhões do empréstimo DIP sejam liberados a tempo.
O pagamento aos credores foi realizado ao longo desta segunda-feira, prazo limite para a comprovação de quitação de parcela à Câmara da CNRD. A decisão do colegiado da CBF determinava pagamento no dia 25 de agosto de todos os meses previstos antes em 2026 — ou seja, de janeiro a agosto. A partir daí, a CNRD analisa se o pagamento foi feito conforme a decisão homologada.
O Vasco tinha até o dia 25 de agosto (última terça-feira) para pagar a primeira parcela do plano aprovado no dia 10 de agosto. A decisão indicava que o clube precisava comprovar nos autos do processo os pagamentos realizados em até cinco dias após cada vencimento — ou seja, nesta segunda.
Ao todo, são mais de R$ 110 milhões em dívidas com os credores, distribuídos em três planos coletivos em disputa na CNRD. No acordo, houve a definição de que o clube terá que pagar R$ 15 milhões por ano e destinar 10% da receita bruta de todas as premiações de competições CBF e Conmebol para quitar dívidas. Os valores serão atualizados anualmente a cada mês de outubro, considerando o IPCA dos últimos 12 meses.
O Vasco vive situação financeira delicada. A SAF espera a liberação para receber os valores do empréstimo DIP de R$ 150 milhões, avaliado pela Justiça. Há temor no clube sobre a capacidade de honrar os pagamentos com funcionários e com os vencimentos da Recuperação Judicial caso o dinheiro não seja liberado. O clube alegava que precisa de R$ 83 milhões até 31 de agosto para honrar pagamentos.
A leitura do Expresso98 é que a entrada dos R$ 150 milhões representaria virada de chave: o montante cobriria com folga os R$ 83 milhões de necessidade imediata, afastaria o risco de atraso em folha e credores e, segundo o bastidor, abriria espaço para investimento em elenco ainda nesta janela, com o nome de Lescano citado como prioridade caso os recursos cheguem. O clube está a um passo da normalização operacional — falta a Justiça autorizar.
Na última semana, o Vasco entrou com um agravo na Justiça do Rio de Janeiro contra a decisão que condicionou a análise de novos endividamentos superiores a R$ 5,9 milhões, incluindo o empréstimo DIP de R$ 150 milhões.
Com informações do ge.globo, por Raphael Zarko.
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