Lamacchia no estádio e R$ 150 milhões travados: Vasco encara o Vitória com bastidores em ebulição

Lamacchia no estádio e R$ 150 milhões travados: Vasco encara o Vitória com bastidores em ebulição

O Vasco enfrenta o Vitória nesta quarta-feira, às 21h30, em São Januário, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, mas o lateral-esquerdo Cuiabano não estará em campo. Segundo o ge.globo, o jogador será preservado pelo técnico Pedro Emanuel visando ao duelo contra o Cruzeiro, pelo Brasileirão, e ao jogo de volta contra o time baiano, no Barradão, na próxima semana. A necessidade do controle de carga foi avaliada pelo departamento médico em conjunto com a comissão técnica. Cuiabano acusou dores musculares na derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, no último domingo, e foi substituído por Avellar no segundo tempo.

A preservação foi justificada por ainda se tratar do jogo de ida e pela situação crítica no Campeonato Brasileiro, competição na qual a equipe está na zona de rebaixamento. Para o Expresso98, a decisão reflete uma gestão de prioridades: o clube está na 19ª posição do Brasileirão, com 22 pontos em 23 jogos, e o confronto de volta no Barradão se anuncia ainda mais difícil que o jogo em casa. Preservar Cuiabano para esses dois compromissos é administrar um calendário apertado com elenco limitado por lesões e pela restrição de nove estrangeiros por lista. Com isso, Lucas Piton e Avellar disputam a posição como titular. No jogo contra o Palmeiras, Avellar foi o escolhido para o lugar de Cuiabano, teve boa atuação e foi elogiado por Pedro Emanuel na entrevista coletiva. Piton, porém, é considerado o reserva imediato da lateral esquerda e disputou quatro partidas com o técnico português.

Enquanto o time se prepara para o confronto, os bastidores fora de campo ganham protagonismo. Segundo o Blog do Diogo Dantas, no O Globo, o investidor Marcos Lamacchia, que fez proposta para comprar a SAF do clube através da Almirante Participações, deve estar presente em São Januário no sábado, no jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro. Hoje, contra o Vitória, a presença é pouco provável. Marcos vive em São Paulo e se reuniu com dirigentes do Vasco na véspera do último jogo, quando decidiu ir a campo e posou ao lado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, esposa de seu pai, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e avalista da operação de compra do Vasco em curso. Marcos Lamacchia esteve acompanhado de seu sócio, Mário Junqueira, que também está na Almirante Participações. Todos esperam a liberação da Justiça para a concorrência ser aberta e a SAF ser vendida. A presença de Lamacchia e as possíveis novas aparições visam marcar posição pública para acelerar o processo.

A pressão pela liberação aumenta diante da situação financeira do clube. Segundo o portal Torcedores, o Vasco enfrenta obstáculos para liberar um empréstimo de R$ 150 milhões negociado com a Almirante Participações. O clube estruturou o empréstimo como um financiamento DIP, modalidade destinada a empresas que estão em recuperação judicial e precisam de dinheiro novo para continuar funcionando. Apesar da aprovação do financiamento em assembleia, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, solicitou uma auditoria independente e mais esclarecimentos sobre as projeções financeiras apresentadas pelo clube. A exigência pode atrasar a entrada dos R$ 150 milhões. O Vasco teria recursos em caixa para cumprir suas obrigações somente até 31 de agosto. A partir de setembro, a entrada de novos valores será fundamental para manter os pagamentos.

A leitura do Expresso98 é que o quadro une urgência esportiva e urgência financeira num mesmo ponto de pressão: o clube está na zona de rebaixamento após dois empates e três derrotas nos últimos cinco jogos, e o calendário de obrigações financeiras se encerra em dias. A Justiça travou o empréstimo justamente porque a SAF havia terminado julho com superávit de cerca de R$ 15 milhões após alegar risco de caixa para obter R$ 40 milhões — o que, para a magistrada, gerou dúvida sobre a real urgência do novo financiamento.

Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores trabalhistas no processo, afirmou ao UOL que a falta dos recursos poderia levar credores a questionarem a continuidade da recuperação judicial. "O descumprimento das obrigações fará com que muitas pessoas questionem o andamento da recuperação judicial. Haverá pessoas pedindo a falência. É prematuro chegar a esse ponto agora, mas haverá um desgaste processual grande", afirmou Fragoso. Daniel Villas Boas, especialista em recuperação judicial, também considera possível que credores recorram à Justiça caso o Vasco deixe de cumprir os pagamentos, mas ressaltou que um eventual pedido não significaria a falência imediata do clube. "O Vasco teria direito de se defender, e a Justiça precisaria analisar os pedidos antes de qualquer decisão", explicou Villas Boas. Considerando operações anteriores e o novo financiamento, as dívidas relacionadas ao grupo poderiam chegar a R$ 270 milhões. O valor inclui o DIP de R$ 80 milhões da Crefisa, o empréstimo de R$ 40 milhões concedido pela Almirante em julho e a nova operação de R$ 150 milhões.

Para o confronto desta noite, o Vasco promove a venda de copo oficial da partida, disponível em todos os setores do estádio. O jogo de volta contra o Vitória acontece na próxima quarta-feira, no Barradão.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 26 de agosto de 2026

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