Lamacchia pai ergueu o Palmeiras com R$ 400 mi; Lamacchia filho negocia a SAF e Leila detona: 'não me envolvo'

Marcos Faria Lamacchia conduz a negociação pela SAF do Vasco enquanto a família carrega quase uma década de história com o Palmeiras. José Roberto Lamacchia atua como avalista da operação vascaína.

Marcos Faria Lamacchia empresário

Marcos Faria Lamacchia negocia a compra da SAF do Vasco. Filho de José Roberto Lamacchia com Junia Faria, herdeira do Banco Alfa, ele tem carreira independente no mercado de investimentos e conduz as tratativas desde o fim do ano passado. José Roberto atua como avalista da operação.

A amizade entre Pedrinho e José Roberto é antiga. O empresário já havia tentado adquirir a SAF do Vasco no início de 2024 — as conversas se arrastaram, mas não houve acordo com a 777 Partners. A negociação voltou a ganhar força posteriormente, desta vez com Marcos à frente. Para o Expresso98, o timing da operação se apoia em dois pilares: o processo de recuperação judicial do clube, que exige um investidor capaz de aportar recursos significativos, e a travação do empréstimo DIP de R$ 150 milhões pela Justiça, que coloca o Vasco em situação de caixa delicada a partir do dia 20, segundo alerta do CEO Fred Luz.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras e esposa de José Roberto, afirmou ao podcast POD_i, de Andréia Sadi, não se envolver com o assunto. "Eu não tenho nada com isso. O meu enteado está negociando com o Vasco, sim. Meu enteado tem a vida completamente independente do pai dele. Ele não trabalha conosco. É totalmente independente", declarou.

Em entrevista ao ge.globo, José Roberto afirmou que Leila poderia eventualmente ajudar o Vasco no futuro, mas somente depois de deixar a presidência do Palmeiras. "Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras", disse.

A história da família Lamacchia no futebol brasileiro ganhou força a partir de 2015, quando Palmeiras e Crefisa oficializaram parceria em 22 de janeiro daquele ano. O acordo aconteceu em um período de reconstrução financeira e administrativa do clube. Posteriormente, outras empresas ligadas ao mesmo grupo empresarial também passaram a ter relação com o Palmeiras, como a Faculdade das Américas.

Os títulos começaram no primeiro ano da parceria. Em 2015, sob comando de Marcelo Oliveira, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil, encerrando um jejum de 22 anos sem títulos nacionais. No ano seguinte, com Cuca, o clube voltou a conquistar o Campeonato Brasileiro. A leitura do Expresso98 é que o histórico aponta para capacidade de execução: a Crefisa injetou recursos que permitiram ao Palmeiras sair de um longo jejum e construir uma das melhores campanhas da década no futebol brasileiro, o que serve de referência — com as devidas proporções e diferenças de gestão — para o que a família pode representar ao Vasco.

Em 2019, Palmeiras e Crefisa firmaram novo acordo durante a gestão de Maurício Galiotte. O contrato poderia superar R$ 400 milhões, dependendo das metas e propriedades previstas. A parceria entre Crefisa e Palmeiras foi encerrada em 2024, depois de quase dez anos. O último dos 14 títulos conquistados pelo futebol masculino durante a parceria foi o Campeonato Paulista de 2024.

Leila Pereira elogiou Marcos no podcast POD_i. "Qualquer clube que tiver meu enteado como dono, será um grande negócio. É uma pessoa brasileira, com patrimônio no Brasil e com capacidade de erguer qualquer clube. Acho um grande negócio. Ele está em tratativas ainda, eu não me envolvo", declarou. Para o Expresso98, o fato de a negociação contar com Marcos à frente e José Roberto como avalista traz ao Vasco um nome com experiência comprovada no futebol, mas a avaliação aqui é que a efetivação do negócio depende de três fatores verificáveis: a liberação do empréstimo ou solução alternativa de caixa imediato, a conclusão da auditoria determinada pela Justiça e a apresentação formal da proposta como stalking horse no processo competitivo, com o valor mínimo de R$ 500 milhões de compromisso inicial mais até R$ 300 milhões por ano durante cinco anos.

Vasco e Palmeiras se enfrentam neste domingo, às 16h, no Nubank Parque, pela série A do Brasileirão.

Com informações do ge.globo, por Bruno Murito e Guilherme Xavier.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 23 de agosto de 2026

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