Lamacchia pode ser o 3º bilionário a comandar SAF no Brasil

Marcos Lamacchia integra uma lista seleta de empresários bilionários que decidiram assumir a gestão de clubes no Brasil. Enquanto Rubens Menin e Pedro Lourenço já comandam Atlético-MG e Cruzeiro, o empresário está próximo de comprar a SAF vascaína.

marcos lamacchia vasco

O futebol brasileiro atravessa uma transformação profunda na forma como os clubes são geridos — e Marcos Lamacchia pode se tornar o próximo bilionário a assumir o comando de uma instituição tradicional. Aos 47 anos, o empresário está próximo de comprar a Sociedade Anônima do Futebol do Vasco e integra uma lista seleta que inclui Rubens Menin, dono de 41,8% da SAF do Atlético-MG, e Pedro Lourenço, proprietário de 90% da SAF do Cruzeiro.

A proposta de Lamacchia pelo Vasco prevê R$ 500 milhões em aportes diretos no futebol, o perdão de uma dívida de R$ 80 milhões referente a um empréstimo já realizado e R$ 150 milhões para o centro de treinamento. O projeto também engloba o pagamento das dívidas concursais e extraconcursais — aproximadamente R$ 1,3 bilhão — e a cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos, hoje estimado em R$ 300 milhões anuais, totalizando R$ 1,5 bilhão. Nas contas do clube e do empresário, o pacote global supera a casa dos R$ 3 bilhões.

A venda da SAF cruz-maltina, no entanto, ainda não está concluída. A Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, venceu leilão para a compra da SAF. O presidente Pedrinho encaminhou oficialmente a proposta aos conselhos do clube — Deliberativo, de Beneméritos, Fiscal e da Assembleia Geral —, que agora avaliam a documentação detalhada sobre a proposta vencedora do leilão judicial.

Atualmente, a SAF vascaína está sob controle administrativo do clube associativo, presidido por Pedrinho. A estrutura acionária, porém, segue dividida: a 777 Partners possui 31%, o Vasco mantém 30%, e os 39% restantes estão em disputa na câmara de arbitragem. Apesar de ainda não ser dono da SAF, Marcos Lamacchia tem feito empréstimos ao clube e aportes antes mesmo de assumir a gestão.

Formado em administração, com especialização em contabilidade e direito empresarial, Lamacchia seguiu carreira no mercado financeiro por herança familiar. É filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, com a banqueira Junia Faria, herdeira de Aloysio de Andrade Faria — fundador do Banco Real e do conglomerado Alfa. Atualmente, seu pai é casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Não há dados públicos exatos sobre a fortuna individual de Marcos Lamacchia. Seu pai acumula um patrimônio de cerca de R$ 8,8 bilhões em conjunto com Leila Pereira.

O movimento de empresários bilionários assumindo a gestão de clubes brasileiros representa uma ruptura com o modelo histórico de mecenato no futebol brasileiro. Ao longo dos anos, marcas como Parmalat — que bancou Palmeiras, Juventude e Paulista de Jundiaí —, MSI no Corinthians e ISL no Flamengo injetaram dinheiro nas equipes, mas em um formato diferente do atual. Naquela época, as empresas bancavam grandes contratações, mas não assumiam a gestão administrativa e esportiva por completo. Agora, os empresários tomaram à frente das gestões dos clubes.

**Rubens Menin no Atlético-MG**

Rubens Menin Teixeira de Souza, de 70 anos, é formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais. O empresário possui uma vasta gama de negócios, com atuação na construção civil, no mercado financeiro e em telecomunicações.

Atualmente, ele é sócio da SAF do Atlético-MG, com 41,8% das ações. Em 2023, o grupo liderado por ele e outros três empresários — seu filho Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, conhecidos como os 4 R's — comprou 75% da operação por cerca de R$ 913 milhões. O montante final teve o abatimento de dívidas do clube referentes a empréstimos contraídos com os próprios investidores ao longo dos anos.

Para este ano, Rubens e Rafael Menin estimam aporte de R$ 500 milhões no Galo, focado na quitação de débitos bancários. Segundo o último balanço financeiro, a dívida atleticana é de R$ 1,8 bilhão, sendo que as pendências com bancos representam a maior fatia: cerca de R$ 941 milhões.

O cenário societário também envolve Daniel Vorcaro, que detém cerca de 20% da SAF após realizar aportes de R$ 100 milhões e R$ 200 milhões. O banqueiro, no entanto, foi afastado do Conselho de Administração após ser preso por suposto envolvimento no caso do Banco Master. Com a nova injeção de capital dos Menin, a participação de Vorcaro cairá para algo entre 4% e 5%.

Segundo a revista Forbes, Rubens Menin ocupa a 36ª colocação entre os mais ricos do Brasil, com fortuna estimada em R$ 9,2 bilhões.

**Pedro Lourenço no Cruzeiro**

Pedro Lourenço de Oliveira, de 70 anos, é fundador de uma rede de supermercados com forte atuação em Minas Gerais e no Espírito Santo. Nascido em Paineiras, no interior mineiro, ele completou o ensino fundamental antes de arriscar a vida na capital. Aos 18 anos, chegou a Belo Horizonte para trabalhar no setor varejista.

Aos poucos, subiu de cargo até montar uma mercearia, que hoje se transformou em uma rede com mais de 400 lojas. Com faturamento na casa dos R$ 26 bilhões no último ano, a empresa liderada por Pedrinho tornou-se a quarta maior varejista do Brasil.

Antes de comprar a SAF de Ronaldo Fenômeno, Pedro Lourenço fez diversos investimentos e empréstimos ao Cruzeiro, desde a era dos irmãos Alvimar e Zezé Perrella. Tornou-se conselheiro e passou a se envolver politicamente na instituição. Entre os aportes feitos antes de assumir o controle, destaca-se o empréstimo de R$ 6 milhões para a compra do meia Arrascaeta, junto ao Defensor, em 2015. Cruzeirense e conselheiro nato, ele também é credor da associação, com mais de R$ 28 milhões a receber na Recuperação Judicial.

Para adquirir 90% das ações da SAF celeste — os 10% restantes seguem com a associação —, Pedrinho desembolsou cerca de R$ 600 milhões. Desse montante, R$ 100 milhões em dívidas do clube com o empresário foram convertidos em ações; R$ 150 milhões foram pagos ainda em 2024; e os R$ 350 milhões restantes serão quitados ao longo de dez anos.

Nesta temporada, a Raposa investiu mais de R$ 300 milhões em reforços e possui uma das folhas salariais mais altas do país, estimada em R$ 30 milhões mensais. A fortuna total acumulada por Pedro Lourenço não é calculada por publicações especializadas.

**Outros casos no futebol brasileiro**

Em diferentes modelos de negócio, outros empresários passaram a ter participação direta na vida política e financeira de clubes brasileiros. Roberto Graziano, dono do Grupo Magnum — uma das maiores empresas de joias e relógios do país — e atual proprietário do São Bernardo, é o principal interessado na compra da SAF do Guarani. Graziano já é dono do estádio Brinco de Ouro da Princesa, arrematado por ele em leilão por R$ 44 milhões. A proposta avaliada pelo conselho alviverde prevê uma operação de R$ 750 milhões, com gatilhos que podem elevar o montante a R$ 1,075 bilhão.

No Sul, Marcelo Marques desembolsou R$ 145 milhões para adquirir a gestão da Arena do Grêmio junto à Arena Porto-Alegrense, além de assumir dois terços da dívida de construção do estádio. Após o acordo, o empresário repassou a administração do estádio ao Grêmio.

O Internacional recebeu doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda para a quitação de salários atrasados com o elenco. Dono do Grupo Dis, com forte atuação no agenciamento de jogadores, Delcir usou parte de sua fortuna para ajudar pontualmente o Colorado.

Entre 2013 e 2016, Paulo Nobre presidiu o Palmeiras e contraiu empréstimos acima de R$ 100 milhões em seu próprio nome para ajudar o clube. O ex-presidente é um dos herdeiros do banco Itaú, com fortuna estimada em mais de R$ 4 bilhões. O Palmeiras não deve mais nada a Paulo Nobre.

Guilherme Bellintani, presidente do Bahia entre 2018 e 2023, atualmente comanda uma empresa dona de uma rede multiclubes. Bellintani é dono do Londrina, time que atualmente disputa a Série B do Brasileiro e a elite do Campeonato Paranaense, e do Linense, time da Série A2 do Campeonato Paulista.

Jorge Machado, que foi agente de Felipão, do ex-meia Rivaldo e diversos outros grandes nomes do futebol brasileiro, é dono do São Caetano. Em entrevista ao ge, ele calculou ter colocado mais de R$ 30 milhões do próprio bolso no clube, que atualmente está na quarta e penúltima divisão do futebol paulista. Segundo Machado, o São Caetano tinha e tem uma dívida de aproximadamente R$ 72 milhões — foi assim que ele pegou o clube. Nesse período de quatro anos, já foram colocados em torno de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões, sem mexer nessa dívida principal.

Outra SAF em curso que deve ter donos com grandes fortunas é a Inter de Limeira, que será comandada por um grupo de investidores que conta com Ronaldo e Roberto Carlos. O acordo é para a compra de 80% das ações da SAF, com investimentos de até R$ 454 milhões ao longo de dez anos — o valor não representa um aporte garantido, mas sim uma projeção financeira vinculada ao crescimento da empresa e ao cumprimento das metas estabelecidas.

Com informações do NetVasco, que cita ge.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 28 de setembro de 2026

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